UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025
Mulher de 38 anos vai a consulta médica com queixa de perda de libido e dificuldade de penetração vaginal durante a atividade sexual. Reclama também de ressecamento vaginal, calores na parte superior do corpo, insônia e irritabilidade. Nos últimos 3 anos, os ciclos menstruais ficaram alongados, e as menstruações com pequeno fluxo. Ela entrou em amenorréia há 1 ano, e a menarca ocorreu aos 9 anos. É tabagista e sedentária. Nega patologias, uso de medicamentos e cirurgias prévias. Relata que a menopausa ocorreu antes dos 45 anos com a mãe e 2 tias maternas. O exame físico evidenciou índice de massa corporal > 30 e vagina atrófica. Assinale a alternativa CORRETA relacionada ao diagnóstico ou conduta adequada.
Mulher < 40 anos com sintomas de menopausa e amenorreia → Insuficiência Ovariana Prematura (IOP).
A insuficiência ovariana prematura (IOP) é caracterizada pela perda da função ovariana antes dos 40 anos, manifestando-se com sintomas de menopausa e amenorreia. É um diagnóstico clínico importante que aumenta o risco de mortalidade e morbidade, exigindo atenção especial à reposição hormonal e rastreamento de comorbidades.
A insuficiência ovariana prematura (IOP), também conhecida como menopausa precoce, é definida pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade. É uma condição que afeta cerca de 1% das mulheres e tem um impacto significativo na saúde e qualidade de vida. A etiologia é multifatorial, incluindo causas genéticas, autoimunes, iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia, cirurgia ovariana) e idiopáticas. O reconhecimento precoce é crucial devido às suas implicações a longo prazo na saúde cardiovascular, óssea e mental, sendo um tema relevante para a residência médica. O diagnóstico da IOP baseia-se na tríade de amenorreia por mais de 4-6 meses, idade inferior a 40 anos e evidência bioquímica de hipoestrogenismo (FSH elevado > 25-40 mUI/mL e estradiol baixo). Os sintomas são semelhantes aos da menopausa natural, incluindo ondas de calor, sudorese noturna, ressecamento vaginal, disfunção sexual, insônia, irritabilidade e perda de libido. A história familiar de menopausa precoce e o tabagismo são fatores de risco importantes, como observado no caso clínico. A obesidade, embora não seja causa, pode agravar os sintomas e aumentar o risco de comorbidades. A conduta para a IOP envolve a terapia hormonal da menopausa (THM) para a maioria das pacientes, a menos que haja contraindicações absolutas. A THM é essencial para aliviar os sintomas vasomotores e, mais importante, para prevenir as complicações a longo prazo da deficiência estrogênica, como osteoporose e doenças cardiovasculares, que aumentam o risco de mortalidade. O acompanhamento deve ser multidisciplinar, incluindo avaliação da saúde óssea, cardiovascular e mental, além de aconselhamento sobre fertilidade, se aplicável.
Os critérios diagnósticos para IOP incluem amenorreia por pelo menos 4 a 6 meses em mulheres com menos de 40 anos, associada a níveis elevados de FSH (follicle-stimulating hormone) e baixos níveis de estrogênio em duas dosagens com intervalo de 4 a 6 semanas. A presença de sintomas vasomotores e atrofia urogenital também corrobora o diagnóstico.
Fatores de risco para IOP incluem história familiar de menopausa precoce, tabagismo, doenças autoimunes (como tireoidite, lúpus), síndromes genéticas (como Síndrome de Turner, X frágil), tratamentos oncológicos (quimioterapia, radioterapia pélvica) e cirurgias ovarianas prévias. A obesidade e o sedentarismo podem agravar os sintomas, mas não são causas diretas.
A IOP aumenta o risco de mortalidade devido à deficiência estrogênica prolongada, que leva a um maior risco de doenças cardiovasculares (aterosclerose, infarto), osteoporose (fraturas), distúrbios neurológicos e psicológicos (depressão, ansiedade, demência). A terapia hormonal é fundamental para mitigar esses riscos e melhorar a qualidade de vida.
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