UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Mulher, 33 anos de idade, nuligesta, refere que a última menstruação foi há 6 meses e não tem atividade sexual há 1 ano. Refere menarca aos 12 anos e que há 4 anos vem observando aumento do intervalo menstrual, variando de 50 a 90 dias até 6 meses atrás. Além disso refere aumento progressivo de peso, ondas de calor eventuais e diminuição de lubrificação vaginal. Nega aumento de pelos ou acne. IMC 21kg/m2. Exame mamário e ginecológico sem alterações. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é a conduta mais adequada?
Mulher <40 anos com amenorreia + sintomas climatéricos = Insuficiência Ovariana Prematura → TRH.
A paciente apresenta amenorreia secundária, oligomenorreia progressiva e sintomas climatéricos (ondas de calor, diminuição da lubrificação vaginal) em idade jovem (33 anos), o que é altamente sugestivo de Insuficiência Ovariana Prematura (IOP). A conduta mais adequada para aliviar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo (como osteoporose e doenças cardiovasculares) é a Terapia de Reposição Hormonal (TRH).
A Insuficiência Ovariana Prematura (IOP), também conhecida como falência ovariana precoce, é definida pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade. Caracteriza-se por amenorreia ou oligomenorreia, hipoestrogenismo e níveis elevados de gonadotrofinas (FSH). É uma condição que afeta aproximadamente 1% das mulheres e tem um impacto significativo na qualidade de vida, fertilidade e saúde a longo prazo, devido à deficiência estrogênica precoce. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica de irregularidades menstruais progressivas, amenorreia e sintomas climatéricos (ondas de calor, secura vaginal, alterações de humor) em mulheres jovens. A confirmação laboratorial envolve a dosagem de FSH, que estará elevado, e estradiol, que estará baixo. É crucial excluir outras causas de amenorreia secundária, como gravidez, hiperprolactinemia e disfunção tireoidiana. A conduta mais adequada para a IOP é a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) com estrogênio e progesterona, que deve ser mantida pelo menos até a idade média da menopausa fisiológica (cerca de 50-51 anos). A TRH não só alivia os sintomas vasomotores e geniturinários, mas também é fundamental para a prevenção de osteoporose, doenças cardiovasculares e para a manutenção da saúde óssea e cardiovascular, que são comprometidas pela deficiência estrogênica prolongada.
O diagnóstico de IOP é feito em mulheres com menos de 40 anos que apresentam amenorreia ou oligomenorreia por pelo menos 4 a 6 meses e níveis elevados de FSH (geralmente > 25-40 mUI/mL) em duas ocasiões, com intervalo de 4 semanas.
A TRH é essencial para aliviar os sintomas vasomotores e geniturinários, além de prevenir complicações a longo prazo associadas à deficiência estrogênica, como osteoporose, doenças cardiovasculares e disfunção cognitiva.
As causas podem ser genéticas (ex: Síndrome de Turner, pré-mutação do X frágil), autoimunes (ex: tireoidite, doença de Addison), iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia, cirurgia ovariana) ou idiopáticas, sendo esta última a mais comum.
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