Insuficiência Ovariana Prematura: Diagnóstico e Sintomas

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Uma mulher de 34 anos de idade procurou o serviço médico com quadro de amenorreia secundária. Foi realizado o teste da progesterona e o resultado foi negativo. Foi prescrita pílula combinada, com a presença de sangramento vaginal na pausa. A investigação foi complementada com os exames FSH, com valor de 45 mUI/mL, que, repetido depois de um mês, apresentou o valor de 43 mUI/mL, TSH normal, prolactina normal e β-hCG negativo. Acerca desse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Caso a terapia de reposição hormonal seja prescrita, ela será utilizada por apenas cinco anos, considerando-se seu risco-benefício, uma vez que a paciente tem 34 anos de idade 
  2. B) Pacientes que tenham essa doença podem apresentar queixas de ondas de calor que surgem antes da manifestação da irregularidade menstrual.
  3. C) O risco de gravidez é extremamente baixo. Sendo assim, mesmo nas pacientes que não desejam engravidar, deve-se contraindicar a pílula combinada e utilizar a terapia de reposição hormonal de baixa dosagem.
  4. D) Ao contrário da menopausa natural, o impacto ósseo nessa paciente é inexistente.
  5. E) Ao contrário da menopausa natural, não há evidências do impacto dessa doença no humor das pacientes.

Pérola Clínica

Mulher < 40a com amenorreia secundária + FSH > 25-40 mUI/mL em 2 dosagens = Insuficiência Ovariana Prematura (IOP).

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro clássico de Insuficiência Ovariana Prematura (IOP), caracterizada por amenorreia secundária antes dos 40 anos e FSH elevado. Sintomas vasomotores como ondas de calor podem preceder a amenorreia, sendo um dos primeiros sinais da falência ovariana.

Contexto Educacional

A Insuficiência Ovariana Prematura (IOP), também conhecida como falência ovariana precoce, é uma condição caracterizada pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade. Afeta aproximadamente 1% das mulheres e é uma causa importante de infertilidade e amenorreia secundária. A etiologia é variada, incluindo causas genéticas, autoimunes, iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia, cirurgia) e idiopáticas. O diagnóstico da IOP é feito pela presença de amenorreia por pelo menos quatro meses e dois níveis de FSH elevados (geralmente > 25-40 mUI/mL, dependendo do laboratório) em amostras coletadas com pelo menos um mês de intervalo, em mulheres com menos de 40 anos. É crucial excluir outras causas de amenorreia, como gravidez, hiperprolactinemia e disfunção tireoidiana. Os sintomas da IOP são semelhantes aos da menopausa natural, incluindo ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal e alterações de humor, que podem preceder a amenorreia. O tratamento envolve a terapia de reposição hormonal (TRH) para aliviar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo, como osteoporose e doenças cardiovasculares, que são mais pronunciadas devido à deficiência estrogênica precoce e prolongada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Insuficiência Ovariana Prematura (IOP)?

A IOP é diagnosticada pela presença de amenorreia por pelo menos 4 meses antes dos 40 anos, associada a dois níveis de FSH > 25-40 mUI/mL (dependendo do laboratório) coletados com pelo menos 4 semanas de intervalo.

Quais são os sintomas mais comuns da Insuficiência Ovariana Prematura?

Os sintomas são semelhantes aos da menopausa natural e incluem amenorreia, ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal, alterações de humor, insônia e diminuição da libido.

Qual o impacto da Insuficiência Ovariana Prematura na saúde óssea e cardiovascular?

A IOP aumenta significativamente o risco de osteoporose devido à deficiência estrogênica prolongada. Também há um aumento do risco cardiovascular, exigindo terapia de reposição hormonal até a idade média da menopausa natural.

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