HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2023
Mulher de 30 anos, há um ano em amenorreia, vem para avaliação. Refere fogachos, insônia e secura vaginal. Nunca usou contracepção hormonal e nega doenças crônicas e uso de medicamentos. Os exames revelam FSH de 80mUI/mL, estradiol de 10pg/mL, ultrassonografia transvaginal com endométrio fino e ovários reduzidos de volume, além de densitometria óssea com osteopenia em coluna lombar e fêmur. Considerando-se a hipótese diagnóstica, em qual compartimento do eixo está a origem do quadro de amenorreia?
Amenorreia + FSH ↑ + Estradiol ↓ em < 40 anos → Insuficiência Ovariana Prematura (IOP), origem ovariana.
A Insuficiência Ovariana Prematura (IOP) é caracterizada pela falência da função ovariana antes dos 40 anos, manifestada por amenorreia, sintomas de hipoestrogenismo e níveis elevados de FSH com estradiol baixo, indicando que o problema reside nos ovários.
A Insuficiência Ovariana Prematura (IOP), também conhecida como falência ovariana precoce, é uma condição caracterizada pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade. Afeta aproximadamente 1% das mulheres e é definida pela presença de amenorreia, sintomas de deficiência estrogênica e níveis elevados de gonadotrofinas (FSH) com níveis baixos de estradiol. A etiologia é multifatorial, incluindo causas genéticas, autoimunes, iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia, cirurgia ovariana) e idiopáticas. O diagnóstico da IOP é feito pela combinação de achados clínicos e laboratoriais. Clinicamente, a paciente apresenta amenorreia secundária (ou primária, se a falha ocorrer antes da menarca) e sintomas de hipoestrogenismo, como fogachos, suores noturnos, secura vaginal e alterações de humor. Laboratorialmente, são encontrados níveis de FSH consistentemente elevados (geralmente > 40 mUI/mL) e níveis de estradiol baixos. A ultrassonografia transvaginal pode mostrar ovários de volume reduzido e endométrio fino. O tratamento da IOP visa principalmente a reposição hormonal para aliviar os sintomas de hipoestrogenismo e prevenir complicações a longo prazo, como osteoporose e doenças cardiovasculares. A terapia de reposição hormonal (TRH) é recomendada até a idade média da menopausa natural (cerca de 50-51 anos). Além disso, é crucial oferecer suporte psicológico e discutir opções de fertilidade, como a doação de óvulos, já que a gravidez espontânea é rara, mas não impossível.
Os critérios diagnósticos para IOP incluem amenorreia por pelo menos 4 a 6 meses, idade inferior a 40 anos e dois níveis de FSH em faixa menopáusica (geralmente > 25-40 mUI/mL) coletados com pelo menos 4 semanas de intervalo.
Os sintomas da IOP são semelhantes aos da menopausa, incluindo fogachos, suores noturnos, secura vaginal, dispareunia, alterações de humor, insônia e diminuição da libido, todos decorrentes do hipoestrogenismo.
A densitometria óssea é importante na IOP devido ao risco aumentado de osteopenia e osteoporose. O hipoestrogenismo crônico leva à perda de massa óssea, tornando a avaliação e a prevenção de fraturas um componente crucial do manejo.
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