UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2023
Mulher de 38 anos, procurou o serviço ginecológico para avaliação de amenorreia secundária. Foi realizado teste da progesterona com resultado negativo; realizado teste com anticoncepcional combinado e paciente apresentou fluxo menstrual. Exames laboratoriais: BHCG negativo; TSH: 2,3 e T4l: 1,0, Prolactina: 6,0 e FSH: 45,0. Repetido novamente o FSH após 01 mês com valor de 40,0. Diante da hipótese diagnóstica mais provável, assinale a alternativa correta.
FSH elevado + amenorreia em < 40 anos = Insuficiência Ovariana Prematura (IOP), com sintomas menopáusicos.
A elevação persistente do FSH em uma mulher jovem com amenorreia secundária, após exclusão de outras causas, é diagnóstica de Insuficiência Ovariana Prematura (IOP). Os sintomas são semelhantes aos da menopausa natural, incluindo ondas de calor, que podem preceder as irregularidades menstruais.
A Insuficiência Ovariana Prematura (IOP), também conhecida como falência ovariana prematura, é uma condição caracterizada pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade. Afeta aproximadamente 1% das mulheres e é uma causa importante de amenorreia secundária e infertilidade. O reconhecimento precoce é crucial devido às suas implicações na saúde reprodutiva e sistêmica da mulher, incluindo riscos cardiovasculares e ósseos. A etiologia é multifatorial, abrangendo causas genéticas, autoimunes, iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia, cirurgia) e idiopáticas. O diagnóstico da IOP é estabelecido pela presença de amenorreia ou oligomenorreia por pelo menos 4 a 6 meses e níveis elevados de FSH (geralmente > 25-40 mUI/mL) em duas ocasiões, com intervalo de pelo menos um mês, em mulheres com menos de 40 anos. É fundamental excluir outras causas de amenorreia, como gravidez (BHCG negativo), disfunção tireoidiana (TSH e T4l normais) e hiperprolactinemia (prolactina normal). O teste de progesterona negativo e o sangramento após uso de anticoncepcional combinado confirmam que o útero é responsivo, mas os ovários não produzem estrogênio. Os sintomas da IOP são semelhantes aos da menopausa natural, incluindo ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal, alterações de humor e distúrbios do sono, que podem preceder a irregularidade menstrual. O tratamento da IOP foca na terapia de reposição hormonal (TRH) para mitigar os efeitos da deficiência estrogênica, como osteoporose e doenças cardiovasculares, e para aliviar os sintomas vasomotores. A TRH é geralmente recomendada até a idade média da menopausa natural (cerca de 50-51 anos). Embora a gravidez seja rara, não é impossível, e a contracepção deve ser discutida se não houver desejo de gestar. O acompanhamento multidisciplinar é importante para abordar os aspectos físicos e psicossociais da condição.
A Insuficiência Ovariana Prematura é diagnosticada pela presença de amenorreia ou oligomenorreia por pelo menos 4 a 6 meses, em mulheres com menos de 40 anos, e dois níveis de FSH em faixa menopáusica (geralmente > 25-40 mUI/mL) coletados com pelo menos 4 semanas de intervalo, após exclusão de outras causas.
Assim como na menopausa natural, pacientes com Insuficiência Ovariana Prematura podem apresentar sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, além de alterações de humor e distúrbios do sono, antes mesmo da manifestação de irregularidade menstrual ou amenorreia completa.
A deficiência estrogênica prolongada na IOP aumenta significativamente o risco de osteopenia e osteoporose, bem como o risco de doenças cardiovasculares. Por isso, a terapia de reposição hormonal é crucial para mitigar esses riscos até a idade média da menopausa natural.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo