MedEvo Simulado — Prova 2026
Daniela, 32 anos, nuligesta, comparece à consulta ginecológica com queixa de ausência de menstruação há sete meses. Relata que interrompeu o uso de anticoncepcional oral combinado há dez meses, pois deseja engravidar, tendo apresentado apenas dois ciclos menstruais espontâneos após a pausa, seguidos de amenorreia. Queixa-se, ainda, de episódios súbitos de calor em face e pescoço, acompanhados de sudorese e irritabilidade, além de dispareunia de introdução por secura vaginal. Ao exame físico, apresenta índice de massa corporal de 22,5 kg/m², ausência de galactorreia ou sinais de hiperandrogenismo. O exame especular revela mucosa vaginal pálida, com redução de rugosidades e teste de pH vaginal de 5,5. Exames laboratoriais iniciais mostram Beta-hCG negativo, Prolactina de 12 ng/mL (referência: 3 a 25 ng/mL) e TSH de 2,1 mUI/L (referência: 0,4 a 4,5 mUI/L). Diante da principal hipótese diagnóstica, o critério laboratorial necessário para a confirmação do quadro é:
Amenorreia > 4 meses + FSH > 25 UI/L (2x com intervalo de 4 semanas) em < 40 anos = IOP.
A Insuficiência Ovariana Prematura (IOP) é caracterizada pela perda da atividade folicular antes dos 40 anos, exigindo confirmação laboratorial seriada de FSH elevado.
A Insuficiência Ovariana Prematura (IOP) representa um desafio clínico significativo devido ao impacto na fertilidade e na saúde óssea e cardiovascular a longo prazo. A fisiopatologia envolve a depleção acelerada do pool folicular ou disfunção folicular grave antes dos 40 anos. O diagnóstico diferencial de amenorreia secundária deve sempre começar pelo Beta-hCG, seguido de Prolactina e TSH. Uma vez confirmado o hipogonadismo hipergonadotrófico (FSH alto e Estradiol baixo), a investigação etiológica pode incluir cariótipo (especialmente em mulheres < 30 anos) e pesquisa da pré-mutação do gene FMR1 (Síndrome do X-Frágil), além de triagem para doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Addison, que frequentemente coexistem com a IOP.
De acordo com os critérios da ESHRE, o diagnóstico de Insuficiência Ovariana Prematura (IOP) requer a presença de amenorreia ou oligomenorreia por pelo menos 4 meses em mulheres com menos de 40 anos, associada a níveis de FSH superiores a 25 UI/L em duas ocasiões distintas, com um intervalo mínimo de 4 semanas entre as coletas. Valores de estradiol baixos costumam acompanhar o quadro, mas o FSH é o marcador principal.
Os sintomas são decorrentes do hipoestrogenismo e assemelham-se aos do climatério, incluindo fogachos (ondas de calor), sudorese noturna, irritabilidade, insônia e secura vaginal (que causa dispareunia). No exame físico, pode-se observar atrofia da mucosa vaginal e pH vaginal elevado (> 4,5). É fundamental descartar gravidez, hiperprolactinemia e disfunções tireoidianas antes de fechar o diagnóstico.
Embora os termos sejam usados como sinônimos, 'Insuficiência Ovariana Prematura' é preferível porque, ao contrário da menopausa natural, a função ovariana na IOP pode ser intermitente ou flutuante. Cerca de 5% a 10% das mulheres com IOP podem apresentar ovulação espontânea e até engravidar após o diagnóstico, o que não ocorre na menopausa definitiva.
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