IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021
Paciente procura atendimento especializado com relato de não menstruar há 1 ano. Tem 30 anos e está preocupada, pois deseja engravidar. Exame físico sem alterações. Resultado de exames apresentado no retorno, após teste de progesterona negativo e resposta satisfatória com uso de estrogênio e progesterona: elevação dos níveis de FSH e LH. Ultrassom transvaginal evidenciando volume uterino de 25cm³, endométrio de 4,5mm, ovário direito com volume de 2,5cm³ e esquerdo com volume de 2,9cm³. Considerando o caso descrito, a PRINCIPAL hipótese diagnóstica é:
Amenorreia + FSH/LH ↑ + ovários pequenos em <40 anos = Insuficiência Ovariana Precoce.
A elevação dos níveis de FSH e LH em uma mulher com amenorreia secundária e ovários de pequeno volume, especialmente antes dos 40 anos, indica uma falha ovariana primária. O teste de progesterona negativo e a resposta ao estrogênio/progesterona confirmam que o problema não é a falta de estrogênio endógeno, mas sim a falha dos ovários em produzir hormônios.
A Insuficiência Ovariana Precoce (IOP), também conhecida como falência ovariana prematura, é uma condição caracterizada pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade. Clinicamente, manifesta-se por amenorreia secundária, sintomas de deficiência estrogênica e infertilidade. A compreensão da IOP é crucial para residentes, pois o diagnóstico precoce e o manejo adequado são essenciais para abordar as preocupações de fertilidade e as consequências a longo prazo da deficiência estrogênica. O diagnóstico da IOP é estabelecido pela presença de amenorreia por pelo menos 4 a 6 meses e níveis elevados de gonadotrofinas (FSH e LH), tipicamente com FSH > 25-40 mUI/mL, em duas dosagens com intervalo de 4 semanas. No caso descrito, a elevação de FSH e LH, juntamente com ovários de pequeno volume ao ultrassom e a ausência de sangramento após o teste de progesterona (indicando hipoestrogenismo), mas com sangramento após estrogênio e progesterona (indicando útero responsivo), são achados clássicos de falha ovariana primária. A fisiopatologia envolve a depleção acelerada ou disfunção dos folículos ovarianos. O manejo da IOP envolve principalmente a terapia de reposição hormonal (TRH) para aliviar os sintomas da deficiência estrogênica e prevenir complicações a longo prazo, como osteoporose e doenças cardiovasculares. Para mulheres que desejam engravidar, a doação de óvulos é a principal opção, uma vez que a chance de concepção espontânea é muito baixa. É fundamental oferecer suporte psicológico e aconselhamento sobre fertilidade, além de investigar possíveis causas subjacentes, como doenças autoimunes ou genéticas.
Os critérios incluem amenorreia por pelo menos 4 a 6 meses antes dos 40 anos e níveis elevados de FSH (geralmente >25-40 mUI/mL) em duas ocasiões separadas por 4 semanas.
Um teste de progesterona negativo indica ausência de estrogênio endógeno suficiente para proliferar o endométrio. Se houver sangramento após estrogênio e progesterona, isso sugere que o útero está responsivo e o problema é a falta de produção ovariana de estrogênio.
A IOP resulta em infertilidade devido à depleção ou disfunção folicular. A concepção espontânea é rara, e a maioria das mulheres com IOP que desejam engravidar necessitará de técnicas de reprodução assistida com óvulos doados.
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