Insuficiência Ovariana Precoce: Diagnóstico e Hormônios

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 36 anos de idade vem em consulta dizendo que apresenta amenorreia há 6 meses. Teste de gravidez com resultado negativo, teste de progestogênio negativo, teste estroprogestativo positivo. FSH 110 U/l, LH 22 U/l, PRL 15 ng/dl. Qual o diagnóstico em questão?

Alternativas

  1. A) Síndrome dos ovários policísticos
  2. B) Disfunção hipotalâmica
  3. C) Sinéquia uterina
  4. D) Insuficiência ovariana precoce
  5. E) Deficiência seletiva de gonadotrofinas

Pérola Clínica

Amenorreia + FSH/LH ↑ + teste progestogênio negativo + estroprogestativo positivo = Insuficiência Ovariana Precoce.

Resumo-Chave

A Insuficiência Ovariana Precoce (IOP) é caracterizada por amenorreia secundária, níveis elevados de FSH e LH (indicando falha ovariana), teste de progestogênio negativo (ausência de estrogênio endógeno) e teste estroprogestativo positivo (sangramento após reposição hormonal), confirmando a falha ovariana com útero responsivo.

Contexto Educacional

A Insuficiência Ovariana Precoce (IOP), também conhecida como falência ovariana prematura, é definida pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade, resultando em amenorreia secundária, hipoestrogenismo e níveis elevados de gonadotrofinas (FSH e LH). É uma condição que afeta cerca de 1% das mulheres e tem implicações significativas para a fertilidade e a saúde óssea e cardiovascular. O diagnóstico da IOP é estabelecido pela tríade de amenorreia por pelo menos 4-6 meses, níveis de FSH em faixa menopáusica (geralmente >25-40 mUI/mL em duas ocasiões com 4 semanas de intervalo) e hipoestrogenismo. A sequência de testes hormonais é crucial: um teste de gravidez negativo exclui gestação; um teste de progestogênio negativo indica ausência de estrogênio endógeno suficiente para proliferar o endométrio; e um teste estroprogestativo positivo (sangramento após administração de estrogênio e progestogênio) confirma que o útero é responsivo e que a causa da amenorreia é a falha ovariana. O manejo da IOP envolve principalmente a terapia de reposição hormonal (TRH) para aliviar os sintomas do hipoestrogenismo, prevenir a perda óssea e reduzir o risco cardiovascular, até a idade média da menopausa natural. A questão da fertilidade é complexa e pode exigir opções como doação de óvulos. É fundamental investigar as causas subjacentes da IOP, como fatores genéticos ou autoimunes, para um aconselhamento completo e manejo de comorbidades associadas.

Perguntas Frequentes

O que significa um teste de progestogênio negativo e um teste estroprogestativo positivo na amenorreia?

Um teste de progestogênio negativo indica que não há estrogênio endógeno suficiente para proliferar o endométrio, impedindo o sangramento de privação. Um teste estroprogestativo positivo significa que, após a administração de estrogênio e progestogênio, ocorre sangramento, confirmando que o útero é responsivo e que a causa da amenorreia é a falta de estrogênio ovariano.

Quais são os níveis hormonais esperados na Insuficiência Ovariana Precoce (IOP)?

Na IOP, os ovários não respondem adequadamente aos estímulos das gonadotrofinas. Consequentemente, há uma falha na produção de estrogênio, o que leva a um feedback negativo diminuído no hipotálamo-hipófise, resultando em níveis elevados de FSH e LH, como visto no caso (FSH 110 U/l, LH 22 U/l).

Quais são as principais causas de Insuficiência Ovariana Precoce?

As causas podem ser genéticas (ex: Síndrome de Turner, pré-mutações do gene FMR1), autoimunes (ex: associada a tireoidite, doença de Addison), iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia, cirurgia ovariana) ou idiopáticas, sendo esta última a mais comum em muitos casos.

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