HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024
Mulher de 37 anos mantém relacionamento homossexual há 1 ano. Procura médico da família queixando-se de ausência de menstruação há 6 meses. Refere ciclos menstruais irregulares há 1 ano. Ao exame físico, ausência de sinais de hiperandrogenismo. IMC 24 kg/m². Nulípara, nega uso de medicações ou drogas. Sem desejo reprodutivo. Vem já com exames laboratoriais recentes: FSH 40 mUI/mL; LH 23mUI/mL; prolactina 19 ng/mL, TSH 4,0 mcUI/mL. Ao toque vaginal: colo uterino impérvio, consistência nasal, fundo uterino intrapélvico. Anexos não palpáveis. Ultrassom transvaginal: sem alterações.Sobre o caso clínico, assinale a alternativa que representa o diagnóstico provável.
Amenorreia secundária + FSH > 25 mUI/mL em mulher < 40 anos = Insuficiência Ovariana Precoce.
A paciente de 37 anos apresenta amenorreia secundária e níveis elevados de FSH (40 mUI/mL) e LH (23 mUI/mL), com prolactina e TSH normais. A elevação do FSH acima de 25 mUI/mL em duas dosagens com intervalo de 4-6 semanas, em mulher com menos de 40 anos e amenorreia, é diagnóstica de Insuficiência Ovariana Precoce (IOP).
A Insuficiência Ovariana Precoce (IOP), também conhecida como menopausa precoce, é definida pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade. É uma condição que afeta cerca de 1% das mulheres e é caracterizada por amenorreia, sintomas de deficiência estrogênica e níveis elevados de gonadotrofinas (FSH e LH). A etiologia é multifatorial, incluindo causas genéticas, autoimunes, iatrogênicas e idiopáticas. O diagnóstico da IOP é feito com base na história clínica de amenorreia secundária (ausência de menstruação por 6 meses ou mais após ciclos regulares) em mulheres com menos de 40 anos, associada a níveis séricos de FSH consistentemente elevados (geralmente > 25-40 mUI/mL) em duas amostras coletadas com intervalo de 4 a 6 semanas. No caso apresentado, a paciente de 37 anos com amenorreia e FSH de 40 mUI/mL se encaixa perfeitamente nos critérios. É importante excluir outras causas de amenorreia, como gestação, hiperprolactinemia e disfunção tireoidiana, que foram descartadas pelos exames normais de prolactina e TSH. O tratamento da IOP visa principalmente a reposição hormonal para aliviar os sintomas da deficiência estrogênica (fogachos, secura vaginal) e prevenir complicações a longo prazo, como osteoporose e doenças cardiovasculares. O aconselhamento sobre fertilidade também é crucial, pois a concepção espontânea é rara, mas não impossível. A compreensão e o manejo adequados da IOP são essenciais para melhorar a qualidade de vida e a saúde a longo prazo dessas pacientes.
O diagnóstico de IOP é estabelecido pela presença de amenorreia por pelo menos 4 a 6 meses em mulheres com menos de 40 anos, juntamente com níveis elevados de FSH (> 25-40 mUI/mL) em duas dosagens separadas por 4-6 semanas.
As causas podem ser genéticas (ex: Síndrome de Turner, pré-mutação do gene FMR1), autoimunes (ex: tireoidite, doença de Addison), iatrogênicas (quimioterapia, radioterapia, cirurgia ovariana) ou idiopáticas, sendo esta última a mais comum.
A diferenciação envolve a dosagem de hormônios como FSH, LH, prolactina e TSH. IOP se caracteriza por FSH e LH elevados (hipogonadismo hipergonadotrófico), enquanto SOP apresenta hiperandrogenismo e FSH/LH geralmente normais ou com relação invertida. Hiperprolactinemia e hipotireoidismo teriam prolactina e TSH alterados, respectivamente.
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