HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020
Paciente do sexo feminino, com 33 anos, vem à consulta devido a achado de sopro. Refere ser completamente assintomática e nega comorbidades e uso de medicações. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, frequência cardíaca (FC) = 83 bpm; pressão arterial (PA) = 112 x 58 mmHg, com ausculta de ritmo cardíaco regular e sopro regurgitativo +++ em foco mitral, mesotelessistólico, com irradiação para linha axilar média, sem outros achados ao exame clínico. Traz eletrocardiograma em ritmo sinusal e ecocardiograma transtorácico: átrio esquerdo de 36 mm, ventrículo esquerdo = 48 x 31 mm, fração de ejeção de 65%, insuficiência mitral importante com prolapso de cúspide anterior, segmento A2 e A3, pressão sistólica da artéria pulmonar (PSAP) = 33 mmHg. Assinale a conduta CORRETA para a paciente descrita:
IM grave assintomática + FE VE preservada + PSAP < 50 mmHg → Acompanhamento clínico e ECO.
Em pacientes com insuficiência mitral importante assintomática e função ventricular esquerda preservada (FE > 60%, DVEs < 40mm) e sem hipertensão pulmonar significativa (PSAP < 50 mmHg), a conduta inicial é o acompanhamento clínico e ecocardiográfico regular. A intervenção valvar é reservada para pacientes sintomáticos ou com disfunção ventricular, fibrilação atrial de início recente ou hipertensão pulmonar.
A insuficiência mitral (IM) é uma valvopatia comum, e sua abordagem depende da gravidade, etiologia, presença de sintomas e impacto na função ventricular. A IM importante assintomática com função ventricular esquerda preservada e sem hipertensão pulmonar significativa é um cenário frequente em provas de residência e na prática clínica, exigindo um conhecimento aprofundado das diretrizes atuais para evitar intervenções desnecessárias ou tardias. O prolapso de válvula mitral é uma causa comum de IM degenerativa. O diagnóstico é feito principalmente pelo ecocardiograma transtorácico, que avalia a gravidade da regurgitação, a função ventricular, o tamanho das câmaras e a pressão na artéria pulmonar. A presença de sintomas como dispneia, fadiga ou palpitações, ou o surgimento de disfunção ventricular esquerda (FE < 60% ou diâmetro sistólico final do VE > 40 mm), fibrilação atrial de início recente ou hipertensão pulmonar (PSAP > 50 mmHg) são os principais gatilhos para a indicação de intervenção valvar. Para pacientes assintomáticos sem esses critérios de risco, a conduta é o acompanhamento clínico e ecocardiográfico rigoroso. A intervenção precoce, seja plástica ou troca valvar, é reservada para casos específicos. O MitraClip é uma opção para pacientes de alto risco cirúrgico. O manejo adequado visa otimizar o prognóstico e a qualidade de vida do paciente, evitando complicações como insuficiência cardíaca e arritmias.
A intervenção cirúrgica é indicada para pacientes sintomáticos, ou assintomáticos com disfunção ventricular esquerda (FE < 60% ou DVEs > 40mm), fibrilação atrial de início recente ou hipertensão pulmonar (PSAP > 50 mmHg) atribuível à valvopatia.
O acompanhamento envolve avaliações clínicas regulares e ecocardiogramas seriados (geralmente a cada 6-12 meses) para monitorar a progressão da valvopatia, a função ventricular e o surgimento de sintomas ou complicações.
A fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e a pressão sistólica da artéria pulmonar (PSAP) são marcadores cruciais. Uma FEVE < 60% ou PSAP > 50 mmHg em pacientes assintomáticos são indicadores de risco e podem justificar a intervenção, mesmo na ausência de sintomas.
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