UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Ao auscultar um paciente com insuficiência mitral crônica grave, espera-se ouvir como típico:
Insuficiência Mitral Grave → Sopro holossistólico em platô + B1 abafada + B3.
Na insuficiência mitral grave, o refluxo de sangue começa imediatamente com o fechamento das valvas, gerando um sopro que mascara ou 'abafa' a primeira bulha (B1).
A insuficiência mitral (IM) crônica grave leva a uma sobrecarga volumétrica progressiva do átrio e ventrículo esquerdos. Na ausculta, o achado clássico é o sopro holossistólico que se estende da B1 até a B2. Diferente da estenose mitral, onde há hiperfonese de B1 e estalido de abertura, na IM grave a B1 tende a ser hipofonética. O desvio do ictus cordis para baixo e para a esquerda reflete a dilatação ventricular compensatória. A compreensão desses sinais físicos é crucial para a triagem clínica antes da confirmação ecocardiográfica.
O sopro é tipicamente holossistólico (ocupa toda a sístole), de caráter aspirativo ou em 'jato de vapor', melhor audível no foco mitral (ápice) e com irradiação frequente para a axila esquerda. Ele mantém a mesma intensidade durante toda a sístole (em platô).
A B1 é abafada porque o sopro holossistólico de alta intensidade inicia-se simultaneamente ao fechamento da valva mitral. Além disso, a má coaptação dos folhetos valvares na insuficiência grave reduz o componente sonoro do fechamento valvar, resultando em uma bulha de difícil distinção do início do sopro.
A presença de B3 na insuficiência mitral crônica grave geralmente indica sobrecarga de volume do ventrículo esquerdo. Ela ocorre durante a fase de enchimento ventricular rápido e, embora possa sugerir disfunção ventricular, em casos graves de regurgitação pode estar presente apenas pelo grande volume de sangue que retorna ao ventrículo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo