UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Mulher, 36a, G4P1A2C0, idade gestacional de 14 semanas. Antecedentes Obstétricos: parto prematuro às 26 semanas e abortos com 18 e 15 semanas. Ultrassonografia com 12 semanas: avaliação morfológica fetal normal e colo uterino medindo 35 mm, sem sinais de afunilamento ou sludge. A CONDUTA É:
História de parto prematuro/aborto tardio + colo uterino normal em USG precoce → considerar cerclagem e progesterona.
A paciente apresenta história de perdas gestacionais tardias (parto prematuro e abortos de segundo trimestre), o que é altamente sugestivo de insuficiência istmocervical. Mesmo com colo uterino de 35mm em 12 semanas, a história clínica é o principal fator para indicação de cerclagem e progesterona.
A insuficiência istmocervical (IIC) é uma condição caracterizada pela incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo, resultando em dilatação indolor e progressiva do colo, levando a abortos de segundo trimestre ou partos prematuros. A história obstétrica é o pilar diagnóstico, sendo crucial a investigação de perdas gestacionais tardias prévias, especialmente aquelas que ocorrem sem contrações ou dor significativa. Neste caso, a paciente apresenta um histórico clássico de IIC: um parto prematuro às 26 semanas e dois abortos tardios (18 e 15 semanas). Embora a ultrassonografia com 12 semanas tenha mostrado um colo uterino de 35 mm sem sinais de afunilamento, a história clínica é o fator preponderante para a conduta. A medida do colo uterino é mais relevante para rastreamento em gestantes de baixo risco ou para indicação de progesterona em casos de colo curto sem história de IIC. A conduta para pacientes com diagnóstico de IIC baseado na história é a cerclagem uterina profilática, realizada idealmente entre 12 e 14 semanas de gestação. Além disso, a progesterona vaginal é recomendada para reduzir o risco de parto prematuro, especialmente em pacientes com histórico de parto prematuro espontâneo. A combinação de cerclagem e progesterona oferece a melhor chance de sucesso para essas gestações de alto risco.
O diagnóstico é primariamente clínico, baseado em história de parto prematuro espontâneo ou abortos de segundo trimestre recorrentes, geralmente sem contrações ou dor. A medida do colo uterino na USG pode ser um achado complementar.
A cerclagem é indicada profilaticamente em gestantes com história de insuficiência istmocervical, geralmente entre 12 e 14 semanas de gestação, antes que o colo comece a encurtar.
A progesterona vaginal é utilizada para reduzir o risco de parto prematuro em gestantes com colo uterino curto ou histórico de parto prematuro, atuando na manutenção da quiescência uterina e na estabilização do colo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo