Insuficiência Istmocervical: Diagnóstico e Cerclagem de Urgência

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente secundigesta, com antecedente de parto normal prematuro, idade gestacional de 22 semanas, por ocasião do exame ultrassonográfico transvaginal realizado na mesma oportunidade da avaliação morfológica do segundo trimestre, apresentou colo medindo 18 mm de comprimento. Ao exame de toque vaginal, o colo apresentava 1,5 cm de dilatação e estava 80% esvaecido.Assinale a alternativa que apresenta a conduta apropriada nesse caso clínico hipotético.

Alternativas

  1. A) iniciar tocólise com betamiméticos.
  2. B) prescrever corticoide intramuscular, progesterona natural via oral, em altas doses e orientar repouso.
  3. C) realizar cerclagem abdominal laparoscópica.
  4. D) realizar cerclagem via vaginal em caráter de urgência.
  5. E) iniciar tocólise com bloqueadores dos canais de cálcio.

Pérola Clínica

Insuficiência istmocervical com dilatação cervical e antecedente de parto prematuro → Cerclagem de urgência via vaginal.

Resumo-Chave

Paciente com antecedente de parto prematuro, colo uterino curto (18 mm) e dilatação cervical (1,5 cm) em 22 semanas de gestação apresenta quadro de insuficiência istmocervical. A cerclagem de urgência via vaginal é a conduta mais apropriada para tentar prolongar a gestação.

Contexto Educacional

A insuficiência istmocervical (IIC) é uma condição na qual o colo uterino se dilata e esvaece prematuramente, sem contrações uterinas dolorosas, levando à perda gestacional no segundo trimestre ou parto prematuro extremo. É uma causa importante de morbimortalidade perinatal e sua identificação e manejo adequados são cruciais na obstetrícia. O diagnóstico da IIC é frequentemente baseado na história clínica de perdas gestacionais anteriores no segundo trimestre e na avaliação do colo uterino por ultrassonografia transvaginal, que pode revelar um colo curto (<25 mm) ou sinais de funilização. No caso apresentado, a paciente tem antecedente de parto prematuro, colo de 18 mm e dilatação de 1,5 cm em 22 semanas, configurando um quadro de IIC com dilatação já estabelecida. A conduta apropriada nesse cenário é a cerclagem via vaginal em caráter de urgência (também conhecida como cerclagem terapêutica ou de resgate), desde que as membranas estejam íntegras e não haja sinais de infecção ou trabalho de parto ativo. A tocólise e o uso de progesterona oral em altas doses não são a primeira linha para dilatação cervical já estabelecida na IIC. A cerclagem abdominal é reservada para casos selecionados de falha da cerclagem vaginal ou anatomia cervical desfavorável.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de insuficiência istmocervical?

O diagnóstico é baseado na história de partos prematuros anteriores sem contrações ou dor, e achados ultrassonográficos de colo curto (<25 mm) ou dilatação cervical em gestações atuais, especialmente no segundo trimestre.

Quando a cerclagem de urgência é indicada na insuficiência istmocervical?

A cerclagem de urgência (ou terapêutica) é indicada em gestantes com história de parto prematuro e que apresentam dilatação cervical assintomática no segundo trimestre, com membranas íntegras ou protrusas.

Qual o papel da progesterona no manejo do colo curto?

A progesterona vaginal é utilizada para prevenir o parto prematuro em gestantes com colo curto (geralmente <25 mm) detectado no segundo trimestre, mas sem dilatação cervical, e não é a conduta principal em casos de dilatação já estabelecida.

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