Insuficiência Istmocervical: Diagnóstico e Manejo no Segundo Trimestre

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Primigesta, 22 semanas, refere desconforto abdominal e saída de secreção gelatinosa há uma hora. Nega dor, perda de líquido ou sangramento. Ao exame observa-se colo pérvio para 6 cm, cefálico, em OP. O diagnóstico é de

Alternativas

  1. A) abortamento evitável.
  2. B) insuficiência istmocervical.
  3. C) amniorexe prematura.
  4. D) abortamento incompleto.
  5. E) trabalho de parto taquitócico.

Pérola Clínica

Dilatação cervical indolor no segundo trimestre, com apresentação fetal baixa e sem contrações, sugere insuficiência istmocervical.

Resumo-Chave

A insuficiência istmocervical é caracterizada pela dilatação cervical indolor e progressiva no segundo trimestre da gestação, levando à exposição das membranas e, frequentemente, ao abortamento tardio ou parto prematuro. A ausência de dor, sangramento ou perda de líquido amniótico, associada à dilatação do colo e apresentação fetal baixa, são achados clássicos que a diferenciam de outras condições.

Contexto Educacional

A insuficiência istmocervical (IIC) é uma condição caracterizada pela incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo, resultando em dilatação e esvaecimento indolores, geralmente no segundo trimestre, levando a abortamentos tardios ou partos prematuros. A etiologia pode ser congênita ou adquirida, frequentemente associada a traumas cervicais prévios, como conização, dilatações e curetagens, ou partos traumáticos. No caso apresentado, uma primigesta com 22 semanas, que refere desconforto abdominal e saída de secreção gelatinosa (tampão mucoso), sem dor ou sangramento, e que ao exame apresenta colo pérvio para 6 cm com apresentação cefálica baixa, configura um quadro clássico de IIC. O diagnóstico da IIC é primariamente clínico, baseado na história de perdas gestacionais indolores no segundo trimestre e no exame físico que revela dilatação cervical sem atividade uterina. A ultrassonografia transvaginal pode auxiliar na avaliação do comprimento cervical e na identificação de sinais precoces de incompetência. É crucial diferenciar a IIC de outras causas de dilatação cervical no segundo trimestre, como o trabalho de parto prematuro, que geralmente cursa com contrações uterinas dolorosas e alterações cervicais. O manejo da insuficiência istmocervical é desafiador e pode incluir a cerclagem uterina, um procedimento cirúrgico que visa reforçar o colo do útero, geralmente realizado entre 12 e 14 semanas de gestação em casos de história prévia ou achados ultrassonográficos sugestivos. Em situações de dilatação avançada, como a da questão, as opções são limitadas e o prognóstico é desfavorável, frequentemente resultando em perda gestacional. A prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para tentar intervir a tempo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da insuficiência istmocervical?

Os sinais clínicos da insuficiência istmocervical incluem dilatação cervical indolor e progressiva no segundo trimestre da gestação, com possível saída de secreção gelatinosa (tampão mucoso) e apresentação fetal baixa, sem contrações uterinas ou sangramento.

Como diferenciar insuficiência istmocervical de trabalho de parto prematuro?

A principal diferença é a presença de contrações uterinas dolorosas no trabalho de parto prematuro, que estão ausentes na insuficiência istmocervical. Na IIC, a dilatação é passiva e indolor, enquanto no trabalho de parto, é ativa e acompanhada de dor.

Qual o tratamento para a insuficiência istmocervical?

O tratamento principal para a insuficiência istmocervical é a cerclagem uterina, um procedimento cirúrgico para reforçar o colo, geralmente realizado profilaticamente entre 12 e 14 semanas de gestação em pacientes com histórico ou achados ultrassonográficos sugestivos.

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