UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 32a, G3P1A1, com idade gestacional de 12 semanas, é encaminhada ao pré-natal de alto risco para avaliação. Antecedentes pessoais: nega histórico de doenças crônicas, tabagismo ou uso de drogas; relata uso de bebida alcoólica ocasional. Medicações: ácido fólico e polivitamínico desde o início desta gravidez. Antecedentes obstétricos: G1=parto prematuro com 26 semanas, bebê com complicações respiratórias graves, mas sobrevivente; G2=aborto espontâneo com 18 semanas, associado à dilatação cervical completa. Exame físico: PA=112/70mmHg; FC=82bpm; T=36,6°C. Ultrassonografia transvaginal=saco gestacional em cavidade uterina, com embrião único, compatível com 12 semanas de gestação, com morfologia normal para a idade gestacional, BCF=162bpm. Comprimento cervical=35mm, sem sinais de afunilamento ou sludge.A CONDUTA OBSTÉTRICA É:
História de aborto tardio/parto prematuro por dilatação cervical → Cerclagem cervical profilática.
A insuficiência istmo-cervical é uma condição em que o colo uterino se dilata e encurta prematuramente, resultando em aborto tardio ou parto prematuro. Em pacientes com história de perda gestacional no segundo trimestre associada à dilatação cervical, a cerclagem cervical profilática é a conduta de escolha, mesmo que o comprimento cervical atual esteja normal.
A insuficiência istmo-cervical (IIC) é uma condição caracterizada pela incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo, resultando em dilatação cervical indolor e, consequentemente, aborto espontâneo tardio ou parto prematuro. É uma causa importante de morbimortalidade perinatal. O diagnóstico da IIC é predominantemente clínico, baseado na história obstétrica da paciente, que tipicamente inclui perdas gestacionais no segundo trimestre com pouca ou nenhuma contração uterina. A fisiopatologia da IIC envolve uma fraqueza estrutural do colo uterino, que pode ser congênita ou adquirida (por exemplo, após traumas cervicais, conização). Embora a ultrassonografia transvaginal possa ser útil para medir o comprimento cervical e identificar sinais de afunilamento, a história clínica de perdas gestacionais prévias é o fator mais preditivo para o diagnóstico e indicação de tratamento. A conduta obstétrica principal para a IIC é a cerclagem cervical, um procedimento cirúrgico que visa reforçar o colo uterino. Em pacientes com história clássica de IIC, a cerclagem é realizada profilaticamente entre 12 e 14 semanas de gestação. Mesmo que o comprimento cervical esteja normal no momento da avaliação, a história de aborto tardio por dilatação cervical é uma indicação forte para a cerclagem. A cerclagem pode prolongar a gestação e melhorar os resultados perinatais, sendo uma ferramenta crucial no manejo de gestações de alto risco.
É a incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo devido à sua dilatação indolor. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história de perdas gestacionais no segundo trimestre associadas à dilatação cervical.
A cerclagem é indicada profilaticamente em pacientes com história de insuficiência istmo-cervical (perda gestacional no 2º trimestre por dilatação cervical) ou terapeuticamente em gestações atuais com encurtamento cervical significativo antes de 24 semanas.
Os tipos mais comuns são a cerclagem de MacDonald (mais superficial) e a cerclagem de Shirodkar (mais profunda). Em casos selecionados, pode-se realizar a cerclagem abdominal.
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