UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015
Uma paciente de cinquenta anos de idade compareceu a um ambulatório de clínica médica relatando que, havia um mês, vinha apresentando dor difusa e aumento do volume do abdome. No prontuário da paciente, estava descrito que ela era supervisionada pelo serviço médico por apresentar hepatite crônica persistente. No exame físico, a paciente apresentou icterícia, macicez móvel, dor difusa à palpação e ausência de visceromegalias. Os exames laboratoriais mostraram albumina de 2g/dL (normal: 3,9 a 4,6g/dL); bilirrubina total de 5 mg/dL (3,5 mg/dL de bilirrubina direta); tempo de protrombina de 18 segundos (normal: 10 a 14 segundos); TGO de 150 U/L; e TGP de 100 U/L.Considerando o caso clínico acima apresentado, julgue o item subsecutivo.O prolongamento do tempo de protrombina confirma o diagnóstico de insuficiência hepática.
TP prolongado + albumina baixa + icterícia = disfunção hepática grave, mas não *confirma* insuficiência hepática aguda.
O prolongamento do tempo de protrombina (TP) é um indicador da disfunção da síntese hepática de fatores de coagulação, o que é comum na doença hepática crônica avançada. No entanto, por si só, não é suficiente para *confirmar* o diagnóstico de insuficiência hepática, que é uma síndrome clínica mais complexa, especialmente em um contexto crônico.
A avaliação da função hepática é complexa e envolve a análise de múltiplos parâmetros clínicos e laboratoriais. Em pacientes com hepatopatia crônica, como a apresentada no caso, a disfunção hepática é progressiva e pode levar à cirrose e suas complicações. O prolongamento do tempo de protrombina (TP) é um achado comum e reflete a diminuição da capacidade sintética do fígado, que é responsável pela produção de fatores de coagulação. No entanto, o TP prolongado por si só não é suficiente para confirmar o diagnóstico de insuficiência hepática. A insuficiência hepática é uma síndrome clínica caracterizada por disfunção grave do fígado, frequentemente acompanhada de encefalopatia hepática, coagulopatia significativa e, em casos agudos, ausência de doença hepática pré-existente. Em pacientes com doença crônica, o TP prolongado indica um estágio avançado da doença, mas o diagnóstico de "insuficiência hepática" como uma síndrome de descompensação requer uma avaliação clínica mais abrangente. Outros marcadores como a albumina sérica (que reflete a síntese proteica hepática a longo prazo), a bilirrubina (que indica a capacidade de conjugação e excreção) e as enzimas hepáticas (que apontam para lesão hepatocelular) devem ser interpretados em conjunto com o quadro clínico. Escores como Child-Pugh e MELD utilizam esses parâmetros para avaliar a gravidade da doença hepática crônica e o prognóstico, auxiliando na tomada de decisão clínica.
Os principais indicadores incluem elevação de enzimas hepáticas (TGO, TGP, FA, GGT), aumento de bilirrubina (total e direta), hipoalbuminemia e prolongamento do tempo de protrombina (TP) ou INR. Cada um reflete diferentes aspectos da lesão ou disfunção hepática.
O fígado é o principal local de síntese de muitos fatores de coagulação (II, VII, IX, X, proteína C e S). O TP avalia a via extrínseca e comum da coagulação, sendo sensível à deficiência de fatores de coagulação de curta meia-vida, como o fator VII, refletindo rapidamente a capacidade sintética do fígado.
O diagnóstico de insuficiência hepática, especialmente a aguda, requer a presença de coagulopatia (INR > 1,5) e encefalopatia hepática em um paciente sem doença hepática pré-existente. Na doença crônica, a insuficiência hepática é uma síndrome de descompensação com múltiplos sinais clínicos e laboratoriais de falência orgânica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo