Insuficiência Hepática Aguda: Manejo da Hipertensão Intracraniana

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente, sexo masculino, 21 anos, há cerca de 7 dias com alteração progressiva de comportamento, e, nas últimas 24 h, apresentou rebaixamento do nível de consciência e icterícia também progressiva. Devido ao rebaixamento do nível de consciência, foi indicada a intubação orotraqueal. Após análise dos exames laboratoriais, chegou-se ao diagnóstico de insuficiência hepática aguda (IHA). Em relação a esse caso, assinale a afirmativa correta

Alternativas

  1. A) Deve-se utilizar a infusão de soluções hipotônicas e reforçar episódios de hiponatremia que contribuem com o edema cerebral.
  2. B) A hiperventilação profilática não é recomendada em pacientes com IHA por não prevenir Hipertensão Intracraniana (HIC) e pode ocasionar edema cerebral por redução oferta de oxigênio cerebral.
  3. C) Sonolência e torpor com resposta aos estímulos verbais, desorientação grosseira e agitação psicomotora configuram a Encefalopatia hepática grau III em que o grande marcador semiológico é o flapping.
  4. D) A indução de hipernatremia torna-se desnecessário porque junto com a amônia a hiponatremia é fator que dispensa gravidade.
  5. E) O uso de corticoides com intuito de reduzir a inflamação cerebral aumenta a incidência de episódios de HIC, por isso não devem ser utilizados com essa finalidade na IHA.

Pérola Clínica

Na IHA, hiperventilação profilática não previne HIC e pode causar isquemia cerebral.

Resumo-Chave

A hiperventilação profilática em pacientes com insuficiência hepática aguda e risco de hipertensão intracraniana não é recomendada. Embora a hiperventilação possa reduzir transitoriamente a PIC, seu uso profilático não demonstrou benefício e pode levar à vasoconstrição cerebral excessiva, comprometendo a oferta de oxigênio e piorando o prognóstico.

Contexto Educacional

A Insuficiência Hepática Aguda (IHA) é uma síndrome grave caracterizada por disfunção hepática severa, com coagulopatia e encefalopatia, em pacientes sem doença hepática pré-existente. A encefalopatia hepática, que pode progredir para edema cerebral e hipertensão intracraniana (HIC), é a principal causa de mortalidade nesses pacientes. O manejo da IHA é complexo e exige cuidados intensivos, com foco na prevenção e tratamento das complicações neurológicas. A fisiopatologia da encefalopatia na IHA envolve o acúmulo de substâncias neurotóxicas, como a amônia, que levam a edema astrocitário e aumento da pressão intracraniana. O diagnóstico da HIC é clínico, mas a monitorização invasiva da PIC pode ser necessária em casos graves. O tratamento visa reduzir a PIC e manter a perfusão cerebral, utilizando medidas como elevação da cabeceira, manitol e, em casos refratários, barbitúricos. É crucial entender que a hiperventilação profilática não é recomendada na IHA. Embora a redução do PCO2 possa diminuir a PIC através da vasoconstrição cerebral, o uso prolongado ou profilático pode levar à isquemia cerebral, piorando o prognóstico. A hiperventilação deve ser reservada para o tratamento agudo da HIC estabelecida e sob monitorização rigorosa. Outras medidas importantes incluem o controle da hiponatremia e a prevenção de infecções. O transplante hepático é a única terapia curativa para a IHA e a indicação deve ser avaliada precocemente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de hipertensão intracraniana na IHA?

Os sinais de hipertensão intracraniana (HIC) na IHA incluem piora da encefalopatia hepática, bradicardia, hipertensão arterial (resposta de Cushing), anisocoria e posturas de decorticação ou descerebração. A monitorização da pressão intracraniana é crucial em pacientes com encefalopatia grave.

Qual o papel da amônia na encefalopatia hepática?

A amônia é um neurotóxico chave na patogênese da encefalopatia hepática. Em pacientes com IHA, a falha hepática impede sua metabolização, levando ao acúmulo no cérebro, onde causa edema astrocitário e disfunção neuronal.

Como a hiponatremia afeta pacientes com IHA?

A hiponatremia é comum na IHA e pode agravar o edema cerebral, pois a água se move para o compartimento intracelular para equilibrar a osmolaridade. Soluções hipotônicas devem ser evitadas e a correção da hiponatremia deve ser cautelosa para prevenir mielinólise pontina.

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