IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024
Um paciente, sexo masculino, 21 anos, há cerca de 7 dias com alteração progressiva de comportamento, e, nas últimas 24 h, apresentou rebaixamento do nível de consciência e icterícia também progressiva. Devido ao rebaixamento do nível de consciência, foi indicada a intubação orotraqueal. Após análise dos exames laboratoriais, chegou-se ao diagnóstico de insuficiência hepática aguda (IHA). Em relação a esse caso, assinale a afirmativa correta
Na IHA, hiperventilação profilática não previne HIC e pode causar isquemia cerebral.
A hiperventilação profilática em pacientes com insuficiência hepática aguda e risco de hipertensão intracraniana não é recomendada. Embora a hiperventilação possa reduzir transitoriamente a PIC, seu uso profilático não demonstrou benefício e pode levar à vasoconstrição cerebral excessiva, comprometendo a oferta de oxigênio e piorando o prognóstico.
A Insuficiência Hepática Aguda (IHA) é uma síndrome grave caracterizada por disfunção hepática severa, com coagulopatia e encefalopatia, em pacientes sem doença hepática pré-existente. A encefalopatia hepática, que pode progredir para edema cerebral e hipertensão intracraniana (HIC), é a principal causa de mortalidade nesses pacientes. O manejo da IHA é complexo e exige cuidados intensivos, com foco na prevenção e tratamento das complicações neurológicas. A fisiopatologia da encefalopatia na IHA envolve o acúmulo de substâncias neurotóxicas, como a amônia, que levam a edema astrocitário e aumento da pressão intracraniana. O diagnóstico da HIC é clínico, mas a monitorização invasiva da PIC pode ser necessária em casos graves. O tratamento visa reduzir a PIC e manter a perfusão cerebral, utilizando medidas como elevação da cabeceira, manitol e, em casos refratários, barbitúricos. É crucial entender que a hiperventilação profilática não é recomendada na IHA. Embora a redução do PCO2 possa diminuir a PIC através da vasoconstrição cerebral, o uso prolongado ou profilático pode levar à isquemia cerebral, piorando o prognóstico. A hiperventilação deve ser reservada para o tratamento agudo da HIC estabelecida e sob monitorização rigorosa. Outras medidas importantes incluem o controle da hiponatremia e a prevenção de infecções. O transplante hepático é a única terapia curativa para a IHA e a indicação deve ser avaliada precocemente.
Os sinais de hipertensão intracraniana (HIC) na IHA incluem piora da encefalopatia hepática, bradicardia, hipertensão arterial (resposta de Cushing), anisocoria e posturas de decorticação ou descerebração. A monitorização da pressão intracraniana é crucial em pacientes com encefalopatia grave.
A amônia é um neurotóxico chave na patogênese da encefalopatia hepática. Em pacientes com IHA, a falha hepática impede sua metabolização, levando ao acúmulo no cérebro, onde causa edema astrocitário e disfunção neuronal.
A hiponatremia é comum na IHA e pode agravar o edema cerebral, pois a água se move para o compartimento intracelular para equilibrar a osmolaridade. Soluções hipotônicas devem ser evitadas e a correção da hiponatremia deve ser cautelosa para prevenir mielinólise pontina.
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