FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022
Adolescente internado com diagnóstico de dengue, somente poderá ter também diagnóstico de insuficiência hepática aguda se apresentar
IHA na dengue: coagulopatia grave (RNI > 2) não corrigível por vitamina K, com ou sem encefalopatia.
A insuficiência hepática aguda (IHA) é uma complicação rara, mas grave, da dengue. Seu diagnóstico requer a presença de coagulopatia grave (RNI > 2,0) que não se corrige com a administração de vitamina K, em um paciente sem doença hepática prévia. A encefalopatia hepática é um critério importante, mas a coagulopatia grave pode ser o primeiro sinal de disfunção hepática severa.
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública global, com um espectro clínico que varia de formas assintomáticas a graves. O comprometimento hepático é uma manifestação comum, com elevação das transaminases observada em até 90% dos casos. No entanto, a insuficiência hepática aguda (IHA) é uma complicação rara, mas potencialmente fatal, que exige reconhecimento e manejo rápidos devido à sua alta mortalidade. A fisiopatologia da lesão hepática na dengue é complexa, envolvendo citotoxicidade viral direta, resposta inflamatória do hospedeiro, hipóxia tecidual e disfunção microvascular. A IHA é caracterizada por uma disfunção hepática grave e aguda em pacientes sem doença hepática prévia. Os critérios diagnósticos essenciais incluem coagulopatia grave (geralmente definida por um RNI > 1.5 ou 2.0) e encefalopatia hepática. A ausência de encefalopatia na alternativa da questão pode ser um ponto de discussão, mas a coagulopatia grave é um marcador inquestionável de disfunção hepática severa e pode preceder a encefalopatia. O manejo da IHA na dengue é de suporte, visando corrigir distúrbios metabólicos, prevenir infecções e manejar a coagulopatia. O prognóstico é reservado, e o transplante hepático pode ser uma opção em casos selecionados. É fundamental que residentes saibam diferenciar a hepatite por dengue (elevação de transaminases) da IHA, que é uma condição muito mais grave e com implicações prognósticas distintas.
Os principais critérios para insuficiência hepática aguda (IHA) incluem evidência de disfunção hepática (elevação de transaminases), coagulopatia grave (RNI > 1.5 ou 2.0, dependendo da fonte, que não se corrige com vitamina K) e encefalopatia hepática, em um paciente sem doença hepática crônica prévia.
A dengue pode causar comprometimento hepático que varia desde elevação assintomática das transaminases (hepatite por dengue) até casos mais graves de insuficiência hepática aguda. A lesão hepática é multifatorial, envolvendo replicação viral, resposta imune do hospedeiro e hipóxia.
A coagulopatia é um marcador crucial na IHA porque o fígado é o principal produtor de fatores de coagulação. Uma coagulopatia grave e refratária à vitamina K indica uma falha significativa na função sintética hepática, sendo um dos pilares para o diagnóstico de IHA.
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