Dengue e Insuficiência Hepática Aguda: Critérios Diagnósticos

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente internado com diagnóstico de dengue, somente poderá ter também diagnóstico de insuficiência hepática aguda se apresentar

Alternativas

  1. A) doença hepática prévia.
  2. B) coagulopatia não corrigível pela administação de vitamina K e RNI >2, na ausência de encefalopatia.
  3. C) ascite e hiperamonemia.
  4. D) comprometimento da função renal com necessidade de terapia de substituição renal.
  5. E) icterícia, coagulopatia e RNI >1.

Pérola Clínica

IHA na dengue: coagulopatia grave (RNI > 2) não corrigível por vitamina K, com ou sem encefalopatia.

Resumo-Chave

A insuficiência hepática aguda (IHA) é uma complicação rara, mas grave, da dengue. Seu diagnóstico requer a presença de coagulopatia grave (RNI > 2,0) que não se corrige com a administração de vitamina K, em um paciente sem doença hepática prévia. A encefalopatia hepática é um critério importante, mas a coagulopatia grave pode ser o primeiro sinal de disfunção hepática severa.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública global, com um espectro clínico que varia de formas assintomáticas a graves. O comprometimento hepático é uma manifestação comum, com elevação das transaminases observada em até 90% dos casos. No entanto, a insuficiência hepática aguda (IHA) é uma complicação rara, mas potencialmente fatal, que exige reconhecimento e manejo rápidos devido à sua alta mortalidade. A fisiopatologia da lesão hepática na dengue é complexa, envolvendo citotoxicidade viral direta, resposta inflamatória do hospedeiro, hipóxia tecidual e disfunção microvascular. A IHA é caracterizada por uma disfunção hepática grave e aguda em pacientes sem doença hepática prévia. Os critérios diagnósticos essenciais incluem coagulopatia grave (geralmente definida por um RNI > 1.5 ou 2.0) e encefalopatia hepática. A ausência de encefalopatia na alternativa da questão pode ser um ponto de discussão, mas a coagulopatia grave é um marcador inquestionável de disfunção hepática severa e pode preceder a encefalopatia. O manejo da IHA na dengue é de suporte, visando corrigir distúrbios metabólicos, prevenir infecções e manejar a coagulopatia. O prognóstico é reservado, e o transplante hepático pode ser uma opção em casos selecionados. É fundamental que residentes saibam diferenciar a hepatite por dengue (elevação de transaminases) da IHA, que é uma condição muito mais grave e com implicações prognósticas distintas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de insuficiência hepática aguda?

Os principais critérios para insuficiência hepática aguda (IHA) incluem evidência de disfunção hepática (elevação de transaminases), coagulopatia grave (RNI > 1.5 ou 2.0, dependendo da fonte, que não se corrige com vitamina K) e encefalopatia hepática, em um paciente sem doença hepática crônica prévia.

Como a dengue pode afetar o fígado?

A dengue pode causar comprometimento hepático que varia desde elevação assintomática das transaminases (hepatite por dengue) até casos mais graves de insuficiência hepática aguda. A lesão hepática é multifatorial, envolvendo replicação viral, resposta imune do hospedeiro e hipóxia.

Por que a coagulopatia é um marcador importante na insuficiência hepática aguda?

A coagulopatia é um marcador crucial na IHA porque o fígado é o principal produtor de fatores de coagulação. Uma coagulopatia grave e refratária à vitamina K indica uma falha significativa na função sintética hepática, sendo um dos pilares para o diagnóstico de IHA.

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