Insuficiência Hepática Aguda: Diagnóstico e Sinais Chave

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020

Enunciado

Assinale a assertiva correta sobre insuficiência hepática aguda.

Alternativas

  1. A)  A apresentação clínica inclui icterícia e encefalopatia hepática em pacientes sem evidência de doença hepática crônica subjacente.
  2. B)  Na evolução da hepatite aguda, a diminuição dos valores das transaminases indica bom prognóstico, mesmo se os níveis de bilirrubinas e o tempo de protrombina estiverem aumentando.
  3. C)  É comum a associação de hepatite viral C com insuficiência hepática aguda.
  4. D)  A hepatotoxicidade por paracetamol é idiossincrática, sendo comum em doses terapêuticas.
  5. E)  A presença de hipertensão porta é um dos critérios necessários para o estabelecimento do diagnóstico.

Pérola Clínica

Insuficiência hepática aguda = icterícia + encefalopatia em paciente sem doença hepática crônica prévia.

Resumo-Chave

A insuficiência hepática aguda é uma condição grave caracterizada por disfunção hepática rápida em indivíduos previamente saudáveis. A presença de icterícia e encefalopatia hepática, sem história de doença hepática crônica, é crucial para o diagnóstico e diferenciação de outras condições hepáticas.

Contexto Educacional

A insuficiência hepática aguda (IHA) é uma síndrome rara, mas grave, caracterizada por disfunção hepática rápida, com icterícia e coagulopatia, e desenvolvimento de encefalopatia hepática em menos de 26 semanas em pacientes sem doença hepática prévia. Sua etiologia é variada, incluindo hepatites virais (A, B, E), hepatotoxicidade por drogas (paracetamol é a causa mais comum no Ocidente) e causas autoimunes. É uma emergência médica com alta mortalidade. O diagnóstico da IHA é clínico e laboratorial, baseando-se na presença de icterícia, coagulopatia (INR ≥ 1,5) e encefalopatia hepática, na ausência de doença hepática crônica. A monitorização de transaminases, bilirrubinas e tempo de protrombina é fundamental. A queda das transaminases, na presença de piora da função sintética (aumento de bilirrubinas e TP), pode indicar um mau prognóstico devido à exaustão hepatocelular. O tratamento da IHA é de suporte intensivo, visando prevenir e manejar as complicações como edema cerebral, infecções e insuficiência renal. O transplante hepático é a única terapia curativa para muitos casos e a indicação deve ser avaliada precocemente. A identificação da etiologia é crucial para tratamentos específicos, como N-acetilcisteína para intoxicação por paracetamol.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da insuficiência hepática aguda?

Os principais sinais são icterícia e encefalopatia hepática, que se desenvolvem rapidamente em pacientes sem doença hepática crônica prévia.

Qual a importância da ausência de doença hepática crônica no diagnóstico?

A ausência de doença hepática crônica é um critério essencial para diferenciar a insuficiência hepática aguda da descompensação de uma doença hepática crônica, que possui prognóstico e manejo distintos.

Por que a diminuição das transaminases na hepatite aguda não indica bom prognóstico isoladamente?

A diminuição das transaminases pode indicar a exaustão dos hepatócitos e não necessariamente melhora, especialmente se houver piora da função sintética hepática (aumento de bilirrubinas e TP).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo