Insuficiência Hepática Aguda Pediátrica: Sinais e Conduta

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 11 anos de idade, menina, com diagnóstico de Hepatite há 1 mês, retorna à consulta com resultado de exames: Hemograma sem alterações, TGO: 648 U/L, TGP 752 U/L, Gama GT 40 U/L, FA: 184 U/L, BT: 8 mg/dl, BD: 7.5 mg/ dl, BI 0.5 mg/dl, RNI: 1.6 e TTPA 30 segundos. A mãe refere que a criança está bem. Pergunta se será necessário examinála, pois a criança está muito irritada e não quer entrar no consultório.Qual a conduta adequada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Como os exames laboratoriais não exibem alterações relevantes, dispensar para casa com orientação de retorno em 15 dias.
  2. B) Pedir para examinar a criança e, se constatada hepatomegalia, internar na enfermaria.
  3. C) Solicitar vaga na enfermaria, devido aos altos níveis de transaminases.
  4. D) Pedir para examinar a criança e, se constatada irritabilidade, internar na unidade de terapia intensiva.
  5. E) Solicitar vaga na unidade de terapia intensiva pelo risco aumentado de hemorragia.

Pérola Clínica

Hepatite aguda + RNI > 1.5 + irritabilidade (encefalopatia) → internação em UTI para manejo de insuficiência hepática.

Resumo-Chave

A irritabilidade em um paciente com hepatite aguda e coagulopatia (RNI elevado) é um sinal precoce de encefalopatia hepática, indicando insuficiência hepática aguda. Esta condição requer internação em UTI para monitoramento e manejo intensivo, devido ao risco de rápida deterioração neurológica e outras complicações.

Contexto Educacional

A insuficiência hepática aguda (IHA) em crianças é uma condição rara, mas grave, caracterizada por disfunção hepática severa com coagulopatia (RNI > 1.5) e encefalopatia em pacientes sem doença hepática crônica prévia. A etiologia é variada, incluindo infecções virais (como hepatite A, B, E), toxicidade por drogas (paracetamol), doenças metabólicas e autoimunes. A rápida identificação é vital devido à alta morbidade e mortalidade. O diagnóstico de IHA é baseado em critérios laboratoriais (elevação de transaminases, bilirrubinas, RNI > 1.5) e clínicos (encefalopatia). A fisiopatologia envolve necrose hepatocelular maciça, levando à perda da função sintética e metabólica do fígado. A irritabilidade, como no caso, é um sinal precoce de encefalopatia hepática, indicando disfunção cerebral devido ao acúmulo de toxinas não metabolizadas pelo fígado. A conduta para IHA com encefalopatia é a internação imediata em unidade de terapia intensiva (UTI) para monitoramento rigoroso e suporte. O manejo inclui controle do edema cerebral, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos, prevenção de sangramentos e infecções. O transplante hepático é frequentemente a única opção curativa para casos graves e refratários.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de encefalopatia hepática em crianças com hepatite?

Em crianças, a encefalopatia hepática pode se manifestar inicialmente como irritabilidade, alteração do padrão de sono, letargia e, em estágios mais avançados, confusão e coma.

Por que um RNI elevado é preocupante na hepatite aguda?

Um RNI elevado indica coagulopatia, um sinal de disfunção hepática grave, pois o fígado é responsável pela produção de fatores de coagulação. É um critério importante para o diagnóstico de insuficiência hepática aguda.

Qual a importância da internação em UTI para insuficiência hepática aguda?

A internação em UTI é crucial devido ao risco de rápida progressão da encefalopatia, edema cerebral, sangramentos e outras falências orgânicas, necessitando de monitoramento intensivo e suporte vital.

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