UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Lactente masculino com 3 meses de idade apresenta cansaço e interrupções às mamadas, cianose perioral quando chora muito e ganho pondero-estatural insuficiente. AP: sopro cardíaco desde o nascimento. Exame físico: REG, FR 71 irpm, FC 159 bpm, mucosas descoradas (2+/4+), acianótico, pulsos com amplitude aumentada, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, tiragens intercostal e subdiafragmática, crepitações pulmonares bilaterais, sopro sistólico e diastólico (2+/6+) na borda esternal esquerda superior com irradiação para o dorso, fígado palpável a 4 centímetros do RCD e o baço palpável a 2 centímetros do RCE.Esse lactente encontra-se em insuficiência cardíaca com padrão hemodinâmico
Lactente com IC: "quente" (pulsos amplos, TPC 3s) + "úmido" (crepitações, hepatomegalia).
A classificação hemodinâmica da insuficiência cardíaca em "quente/frio" e "seco/úmido" é fundamental para guiar o tratamento. Neste caso, a ausência de sinais claros de baixo débito (pulsos amplos, TPC não tão prolongado) e a presença de congestão (crepitações, hepatomegalia) indicam um padrão "quente e úmido".
A insuficiência cardíaca (IC) em lactentes é uma condição grave, frequentemente associada a cardiopatias congênitas, que se manifesta por uma incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo. Os sinais e sintomas são muitas vezes inespecíficos, como dificuldade para mamar, ganho de peso insuficiente, taquipneia e sudorese excessiva. O diagnóstico precoce e a classificação hemodinâmica são cruciais para um manejo adequado. A avaliação hemodinâmica da IC pediátrica pode ser simplificada pela classificação em quatro perfis: "quente" (sem baixo débito) ou "frio" (com baixo débito), e "seco" (sem congestão) ou "úmido" (com congestão). Sinais de baixo débito ("frio") incluem extremidades frias, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado (>3-4s) e oligúria. Sinais de congestão ("úmido") incluem taquipneia, tiragens, crepitações pulmonares, hepatomegalia e edema. No caso apresentado, o lactente tem pulsos com amplitude aumentada e TPC de 3 segundos (não tão prolongado), indicando um perfil "quente". A presença de tiragens, crepitações pulmonares e hepatomegalia são claros sinais de congestão venosa, caracterizando um perfil "úmido". Portanto, o padrão é "quente e úmido", frequentemente visto em cardiopatias com shunt esquerda-direita significativo, como a persistência do canal arterial ou grandes comunicações interventriculares, que levam à sobrecarga de volume pulmonar e sistêmica. O tratamento visa otimizar a função cardíaca e reduzir a congestão.
Um padrão "quente" indica ausência de baixo débito cardíaco, manifestado por extremidades aquecidas, pulsos periféricos amplos e tempo de enchimento capilar normal ou discretamente prolongado (<3-4 segundos).
O padrão "úmido" reflete congestão venosa, com sinais como taquipneia, tiragens, crepitações pulmonares, hepatomegalia, edema e turgência jugular (mais difícil de ver em lactentes).
A classificação em "quente/frio" e "seco/úmido" direciona a terapia, indicando a necessidade de inotrópicos para "frio" e diuréticos para "úmido", otimizando o manejo e evitando terapias desnecessárias.
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