Farmacoterapia da Insuficiência Cardíaca Pediátrica

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

A Insuficiência Cardíaca (IC) na infância resulta da incapacidade do coração dispor de um retorno venoso adequado e/ou proporcionar débito cardíaco e perfusão sistêmica capazes de manter a demanda metabólica corporal. Em relação a esses quadros na infância, é considerada ERRADA a alternativa:

Alternativas

  1. A) A dobutamina apresenta efeitos hemodinâmicos semelhantes à milrinona, porém leva a aumento da frequência cardíaca, bem como ao aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio.
  2. B) Em caso de choque cardiogênico com síndrome de baixo débito, a milrinona tem sido o inotrópico de escolha, podendo causar dilatação periférica, devendo ser usada especialmente nos pacientes hipotensos.
  3. C) Entre as cardiopatías congênitas, as principais causas de IC na criança são os defeitos septais com grande shunt esquerda-direita, cardiopatias obstrutivas do lado esquerdo, cardiopatias complexas e valvulopatias.
  4. D) As arritmias são causas de IC na infância, sendo as principais a taquicardia paroxística e o bloqueio atrioventricular total, e são mais comuns em recém-nascidos e lactentes.

Pérola Clínica

Milrinona = Inodilatador → Cuidado na hipotensão (risco de choque distributivo associado).

Resumo-Chave

A milrinona é um inodilatador que melhora o débito cardíaco e reduz a pós-carga, mas seu uso é contraindicado como monoterapia em pacientes hipotensos devido ao risco de exacerbar a queda da pressão arterial.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) na infância difere da adulta principalmente pela etiologia, sendo dominada por malformações estruturais congênitas. O manejo clínico visa otimizar o débito cardíaco e reduzir a congestão sistêmica e pulmonar. Medicamentos inotrópicos como dobutamina e milrinona são pilares no suporte avançado. A dobutamina atua via receptores beta-1 adrenérgicos, aumentando a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio. A milrinona, por não atuar em receptores adrenérgicos, é útil em pacientes cronicamente expostos a catecolaminas (downregulation de receptores). No entanto, sua capacidade de reduzir a pós-carga do ventrículo direito a torna excelente para crises de hipertensão pulmonar, mas exige monitorização rigorosa da pressão arterial sistêmica.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo de ação da milrinona?

A milrinona é um inibidor da fosfodiesterase III. Ela aumenta os níveis intracelulares de AMP cíclico no miocárdio (aumentando a contratilidade/inotropismo) e na musculatura lisa vascular (causando vasodilatação sistêmica e pulmonar/lusitropismo). Por isso, é classificada como um 'inodilatador'.

Por que a milrinona deve ser evitada na hipotensão grave?

Devido ao seu potente efeito vasodilatador periférico, a milrinona pode reduzir significativamente a resistência vascular sistêmica. Em pacientes que já apresentam hipotensão ou choque compensado, isso pode levar a um colapso hemodinâmico se não houver uma reposição volêmica adequada ou o uso associado de um vasoconstritor (como noradrenalina).

Quais as principais causas de IC em lactentes?

As causas mais comuns são as cardiopatias congênitas com hiperfluxo pulmonar (shunts esquerda-direita como CIV, PCA e DSAV). Outras causas importantes incluem cardiopatias obstrutivas do lado esquerdo (coarctação de aorta, estenose aórtica grave) e miocardites agudas.

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