Tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 65 anos, admitido com quadro de taquicardia, febre de 38 °C, dispneia progressiva aos esforços, evoluindo para dispneia ao repouso, edema de membros inferiores e ortopneia. Seu RX de tórax revelou consolidação pulmonar, ECG sinusal, com sobrecarga de câmaras esquerdas. Ecodoppler apresenta FE estimada em 35%. Após tratamento com antibiótico, evoluiu assintomático, sem sinais de congestão e em condições de alta, apresentando PA 120X75 mmHg e FC 78 bpm. Qual o tratamento adicional mais adequado a ser prescrito?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia estendida
  2. B) Inibidor da ECA e betabloqueador (Metoprolol)
  3. C) Digital e diurético tiazídico
  4. D) Diurético de alça e nitrato
  5. E) Anticoagulação oral

Pérola Clínica

Paciente com ICFEr, após estabilização, deve iniciar IECA/BRA e betabloqueador para reduzir mortalidade.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) descompensada por infecção pulmonar. Após a resolução da causa da descompensação e estabilização clínica, a terapia de base para ICFEr, que comprovadamente reduz mortalidade e morbidade, inclui inibidores da ECA (ou BRA) e betabloqueadores.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo. A apresentação de dispneia, edema, ortopneia e baixa fração de ejeção (FE 35%) em um paciente de 65 anos é altamente sugestiva de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), que foi descompensada por um quadro infeccioso pulmonar. Após a resolução da causa da descompensação (tratamento com antibiótico) e a estabilização hemodinâmica do paciente (PA 120x75 mmHg e FC 78 bpm, sem sinais de congestão), o foco do tratamento muda para a terapia otimizada para ICFEr, visando reduzir morbidade e mortalidade a longo prazo. As diretrizes atuais recomendam fortemente o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), e betabloqueadores como o metoprolol, como terapia de primeira linha para todos os pacientes com ICFEr, a menos que haja contraindicações. Esses medicamentos atuam no remodelamento cardíaco, na neuro-hormonal e na função ventricular, melhorando significativamente o prognóstico. Outras classes como antagonistas do receptor de mineralocorticoide (ARM) e inibidores do SGLT2 também são essenciais na terapia quádrupla moderna.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento farmacológico da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr)?

Os pilares incluem inibidores da ECA (ou BRA/ARNI), betabloqueadores, antagonistas do receptor de mineralocorticoide (ARM) e inibidores do SGLT2, todos com evidências de redução de mortalidade e morbidade na ICFEr.

Quando iniciar betabloqueadores em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada?

Betabloqueadores devem ser iniciados ou reiniciados apenas após a estabilização clínica do paciente, sem sinais de congestão e com euvolemia, e titulados lentamente para evitar piora da função cardíaca.

Qual a importância dos inibidores da ECA no tratamento da ICFEr?

Os inibidores da ECA são fundamentais na ICFEr por modular o sistema renina-angiotensina-aldosterona, reduzindo a pré e pós-carga, prevenindo o remodelamento cardíaco e melhorando a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.

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