UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020
Homem, 65 anos, admitido com quadro de taquicardia, febre de 38 °C, dispneia progressiva aos esforços, evoluindo para dispneia ao repouso, edema de membros inferiores e ortopneia. Seu RX de tórax revelou consolidação pulmonar, ECG sinusal, com sobrecarga de câmaras esquerdas. Ecodoppler apresenta FE estimada em 35%. Após tratamento com antibiótico, evoluiu assintomático, sem sinais de congestão e em condições de alta, apresentando PA 120X75 mmHg e FC 78 bpm. Qual o tratamento adicional mais adequado a ser prescrito?
Paciente com ICFEr, após estabilização, deve iniciar IECA/BRA e betabloqueador para reduzir mortalidade.
O paciente apresenta um quadro de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) descompensada por infecção pulmonar. Após a resolução da causa da descompensação e estabilização clínica, a terapia de base para ICFEr, que comprovadamente reduz mortalidade e morbidade, inclui inibidores da ECA (ou BRA) e betabloqueadores.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo. A apresentação de dispneia, edema, ortopneia e baixa fração de ejeção (FE 35%) em um paciente de 65 anos é altamente sugestiva de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), que foi descompensada por um quadro infeccioso pulmonar. Após a resolução da causa da descompensação (tratamento com antibiótico) e a estabilização hemodinâmica do paciente (PA 120x75 mmHg e FC 78 bpm, sem sinais de congestão), o foco do tratamento muda para a terapia otimizada para ICFEr, visando reduzir morbidade e mortalidade a longo prazo. As diretrizes atuais recomendam fortemente o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), e betabloqueadores como o metoprolol, como terapia de primeira linha para todos os pacientes com ICFEr, a menos que haja contraindicações. Esses medicamentos atuam no remodelamento cardíaco, na neuro-hormonal e na função ventricular, melhorando significativamente o prognóstico. Outras classes como antagonistas do receptor de mineralocorticoide (ARM) e inibidores do SGLT2 também são essenciais na terapia quádrupla moderna.
Os pilares incluem inibidores da ECA (ou BRA/ARNI), betabloqueadores, antagonistas do receptor de mineralocorticoide (ARM) e inibidores do SGLT2, todos com evidências de redução de mortalidade e morbidade na ICFEr.
Betabloqueadores devem ser iniciados ou reiniciados apenas após a estabilização clínica do paciente, sem sinais de congestão e com euvolemia, e titulados lentamente para evitar piora da função cardíaca.
Os inibidores da ECA são fundamentais na ICFEr por modular o sistema renina-angiotensina-aldosterona, reduzindo a pré e pós-carga, prevenindo o remodelamento cardíaco e melhorando a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.
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