ICFER: Otimização Terapêutica com Betabloqueador e ARM

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 65 anos, com histórico de hipertensão e diabetes, foi diagnosticado com insuficiência cardíaca há 2 anos. Ele tem dispneia aos esforços moderados e edemas de membros inferiores. Nega tosse. No exame físico, apresenta pressão arterial de 130/80 mmHg, frequência cardíaca de 75 bpm, estertores pulmonares bibasais e edema de 2+/4+ em membros inferiores. Sua fração de ejeção ventricular esquerda é de 35%, confirmada em ecocardiograma recente. Atualmente, faz uso de furosemida e enalapril. Assinale a alternativa que representa a melhor abordagem terapêutica para otimizar o tratamento desse paciente.

Alternativas

  1. A) Aumentar a dose de furosemida.
  2. B) Associar digoxina ao esquema em uso.
  3. C) Associar bisoprolol e espironolactona ao esquema.
  4. D) Associar a dapagliflozina se estiver com hiperglicemia.
  5. E) Suspender o enalapril e trocar por um bloqueador do receptor de angiotensina.

Pérola Clínica

ICFER (FEVE < 40%) → otimizar tratamento com IECA/BRA, betabloqueador, ARM e iSGLT2.

Resumo-Chave

O tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) baseia-se em pilares farmacológicos que comprovadamente reduzem mortalidade e morbidade. Após IECA (enalapril) e diurético (furosemida), a adição de um betabloqueador (bisoprolol) e um antagonista do receptor mineralocorticoide (espironolactona) é crucial para otimizar a terapia e melhorar o prognóstico.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER), definida por uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) < 40%, é uma síndrome clínica complexa e progressiva que afeta milhões de pessoas globalmente. Caracteriza-se pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo, resultando em sintomas como dispneia, fadiga e edema. A prevalência aumenta com a idade e com a presença de comorbidades como hipertensão e diabetes, sendo uma das principais causas de hospitalização e mortalidade cardiovascular. A fisiopatologia da ICFER envolve uma complexa interação de mecanismos neuro-hormonais, incluindo a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e do sistema nervoso simpático, que levam à remodelação cardíaca, disfunção ventricular e progressão da doença. O diagnóstico é primariamente clínico, apoiado por exames como ecocardiograma para avaliar a FEVE e peptídeos natriuréticos. A suspeita deve surgir em pacientes com sintomas típicos e fatores de risco. O tratamento da ICFER é baseado em uma terapia quádrupla que comprovadamente reduz mortalidade e morbidade: inibidores da ECA/BRA/ARNI, betabloqueadores, antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM) e inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2). A otimização dessas classes de medicamentos, titulando as doses até o máximo tolerado, é fundamental para o prognóstico do paciente. Diuréticos de alça, como a furosemida, são utilizados para controle sintomático da congestão, mas não alteram a mortalidade. O prognóstico da ICFER melhorou significativamente com a implementação dessas terapias, mas a adesão e a titulação adequada permanecem desafios importantes na prática clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento farmacológico da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER)?

Os pilares incluem inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) ou inibidores da neprilisina e do receptor de angiotensina (ARNI), betabloqueadores, antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM) e inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2).

Por que a associação de bisoprolol e espironolactona é fundamental na ICFER?

O bisoprolol (betabloqueador) atua bloqueando a ativação simpática crônica, reduzindo a frequência cardíaca e melhorando a função ventricular. A espironolactona (ARM) bloqueia os efeitos deletérios da aldosterona, como fibrose miocárdica e retenção de sódio e água, ambos contribuindo para a redução de mortalidade e hospitalizações.

Quando considerar a dapagliflozina no tratamento da ICFER?

A dapagliflozina (iSGLT2) é recomendada para pacientes com ICFER, independentemente da presença de diabetes, devido à sua capacidade de reduzir hospitalizações por IC e mortalidade cardiovascular. Deve ser considerada como parte da terapia quádrupla otimizada.

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