ICFER: Otimizando o Tratamento com Sacubitril/Valsartana

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 70 anos, sexo feminino, com diagnóstico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) devido à coronariopatia, apresenta-se em acompanhamento regular. Ela está atualmente em uso de enalapril, carvedilol, espironolactona e furosemida. A paciente relata fadiga moderada e episódios ocasionais de dispneia aos esforços. Sua pressão arterial está controlada e a função renal é estável. Considerando as diretrizes atuais e as melhores evidências científicas, qual seria a próxima etapa na otimização do tratamento desta paciente?

Alternativas

  1. A) Adicionar ivabradina ao tratamento, independentemente da frequência cardíaca da paciente, para reduzir os sintomas de insuficiência cardíaca.
  2. B) Introduzir a digoxina como medida adicional para melhorar os sintomas e a capacidade funcional.
  3. C) Aumentar a dose de furosemida para reduzir a fadiga e a dispneia, melhorando a qualidade de vida da paciente.
  4. D) Substituir o enalapril por sacubitril/valsartana, visando melhorar a sobrevida e reduzir hospitalizações.

Pérola Clínica

ICFER em uso de IECA/BRA + BB + ARM → substituir IECA/BRA por sacubitril/valsartana para otimização.

Resumo-Chave

Em pacientes com ICFER sintomáticos, mesmo em terapia otimizada com IECA/BRA, betabloqueador e antagonista do receptor mineralocorticoide (ARM), a substituição do IECA/BRA por sacubitril/valsartana é uma recomendação de Classe I para reduzir morbimortalidade. Essa droga combina um inibidor da neprilisina com um bloqueador do receptor de angiotensina, oferecendo benefícios superiores aos IECA isolados.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente, resultando em sintomas como dispneia e fadiga. A coronariopatia é uma das principais causas de ICFER, e o manejo desses pacientes visa melhorar a qualidade de vida, reduzir hospitalizações e prolongar a sobrevida. As diretrizes atuais enfatizam uma terapia medicamentosa otimizada para alcançar esses objetivos. O tratamento da ICFER evoluiu significativamente, e a terapia medicamentosa é baseada em quatro pilares principais: inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), betabloqueadores, antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARM) e, mais recentemente, os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2). Para pacientes que permanecem sintomáticos apesar da terapia otimizada com IECA/BRA, betabloqueador e ARM, a substituição do IECA/BRA por sacubitril/valsartana é uma recomendação de Classe I, baseada em evidências robustas de redução de morbimortalidade. Sacubitril/valsartana é um inibidor da neprilisina e do receptor de angiotensina (ARNI), que atua de forma dual: bloqueia os efeitos da angiotensina II e aumenta os níveis de peptídeos natriuréticos, promovendo vasodilatação e natriurese. Para residentes, é crucial entender que a otimização da terapia medicamentosa é um processo contínuo, e a introdução de novas classes de medicamentos, como os ARNI e iSGLT2, representa um avanço significativo no manejo da ICFER, exigindo conhecimento das indicações, contraindicações e monitoramento de efeitos adversos.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do sacubitril/valsartana no tratamento da ICFER?

Sacubitril/valsartana é um ARNI que demonstrou reduzir significativamente a morbimortalidade em pacientes com ICFER, sendo superior aos IECA. Ele atua bloqueando o receptor de angiotensina e inibindo a neprilisina, aumentando peptídeos natriuréticos.

Quando se deve considerar a introdução de sacubitril/valsartana?

Deve-se considerar a introdução de sacubitril/valsartana em pacientes com ICFER sintomáticos (NYHA II-IV) que já estão em uso de IECA ou BRA, betabloqueador e ARM, e que toleram a medicação.

Quais são os principais efeitos adversos do sacubitril/valsartana?

Os principais efeitos adversos incluem hipotensão, hipercalemia e tosse. É importante monitorar a função renal e os eletrólitos, e um período de washout de 36 horas é necessário ao trocar de IECA para ARNI.

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