ICFER com FEVE Recuperada: Manutenção da Terapia

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Considere um paciente com diagnóstico prévio de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) por cardiomiopatia dilatada. O paciente está em uso de medicações modificadoras da doença ICFER (bisoprolol, valsartana e espironolactona), em doses máximas com boa tolerância e atualmente encontra-se sem edema e na classe funcional NYHA 1. Realizou um ecocardiograma recente que demonstrou recuperação da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (prévio 32% e atual 52%), com hipocinesia anterior, sem demais alterações marcantes. Não apresenta diabetes ou hipertensão arterial sistêmica. Para esse caso, assinale a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Mesmo com a recuperação da função sistólica e ausência de sintomas, recomenda-se a manutenção das medicações em uso.
  2. B) Devem ser reduzidas progressivamente a valsartana e a espironolactona até a suspensão, mas mantido o betabloqueador.
  3. C) A valsartana deve ser substituída por sacubitril/valsartana respeitando o intervalo de washout de 36h e mantendo--se as demais drogas.
  4. D) Como houve recuperação da disfunção sistólica, recomenda-se redução pela metade da valsartana e espironolactona, e introdução de inibidor de SGLT-2.

Pérola Clínica

Recuperação da FEVE em ICFER não justifica suspensão de medicações modificadoras da doença; a manutenção reduz risco de recaída.

Resumo-Chave

Mesmo com a recuperação da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e melhora sintomática em pacientes com ICFER, as medicações modificadoras da doença (betabloqueadores, iECA/BRA/ARNI, antagonistas do receptor de mineralocorticoide, iSGLT2) devem ser mantidas. A suspensão está associada a um alto risco de recaída da disfunção ventricular e descompensação.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) é uma síndrome complexa, e o tratamento com medicações modificadoras da doença (betabloqueadores, inibidores da ECA/bloqueadores do receptor de angiotensina/inibidores da neprilisina e do receptor de angiotensina, antagonistas do receptor de mineralocorticoide e, mais recentemente, inibidores do SGLT2) tem demonstrado melhorar significativamente o prognóstico. Em alguns pacientes, a adesão a essa terapia pode levar à recuperação da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), um fenômeno conhecido como remodelação reversa. A recuperação da FEVE, embora um bom sinal prognóstico, não significa a cura da doença subjacente. Estudos mostram que a suspensão das medicações modificadoras da doença nesses pacientes está associada a um alto risco de recaída da disfunção ventricular e descompensação da IC. Portanto, as diretrizes atuais recomendam fortemente a manutenção da terapia otimizada, mesmo em pacientes assintomáticos com FEVE recuperada. A decisão de manter o tratamento visa prevenir a recorrência da disfunção ventricular e a progressão da doença. A monitorização contínua e a educação do paciente sobre a importância da adesão à terapia são fundamentais para garantir os benefícios a longo prazo e evitar complicações, mesmo na ausência de sintomas aparentes.

Perguntas Frequentes

Devo suspender as medicações para ICFER se a fração de ejeção se normalizar?

Não, mesmo com a recuperação da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e melhora sintomática, as medicações modificadoras da doença para ICFER devem ser mantidas. A suspensão está associada a um alto risco de recaída da disfunção ventricular e descompensação.

O que significa a recuperação da fração de ejeção em pacientes com insuficiência cardíaca?

A recuperação da fração de ejeção, também conhecida como remodelação reversa, indica uma melhora na função de bombeamento do coração. Embora seja um bom sinal prognóstico, não significa a cura da doença subjacente e a necessidade de tratamento persiste.

Quais são os riscos de interromper o tratamento em pacientes com ICFER e FEVE recuperada?

A interrupção do tratamento em pacientes com ICFER e FEVE recuperada aumenta significativamente o risco de recorrência da disfunção ventricular, descompensação da insuficiência cardíaca e eventos adversos cardiovasculares, ressaltando a importância da manutenção da terapia.

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