ICFER: Terapia Medicamentosa e Impacto na Mortalidade

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020

Enunciado

Em relação à terapia medicamentosa para insuficiência cardíaca crônica com fração de ejeção reduzida, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas

  1. A) A terapia com a associação de sacubitril e valsartana não reduziu a taxa de mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca crônica classe II a IV de NYHA.
  2. B) A ivabradina pode ser indicada no tratamento da insuficiência cardíaca crônica nos pacientes em que o betabloqueador não consegue atingir a meta de frequência cardíaca em torno de 60 bpm.
  3. C) Os digitálicos estão indicados em pacientes com insuficiência cardíaca crônica para melhora de sintomas, porém, não alteram a mortalidade.
  4. D) A espironolactona, comprovadamente, reduz a mortalidade nos pacientes com insuficiência cardíaca crônica.

Pérola Clínica

ICFER: Espironolactona e Sacubitril/Valsartana comprovadamente ↓ mortalidade.

Resumo-Chave

Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER), a espironolactona e a associação sacubitril/valsartana são pilares do tratamento, com evidências robustas de redução de mortalidade. A ivabradina é uma opção para controle de frequência cardíaca em pacientes selecionados, e os digitálicos melhoram sintomas sem impacto na mortalidade.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) é uma síndrome clínica complexa que requer uma abordagem terapêutica multifacetada para melhorar a qualidade de vida e, crucialmente, reduzir a morbimortalidade. O tratamento medicamentoso evoluiu significativamente, com a introdução de novas classes de fármacos que alteram o curso da doença. Os pilares da terapia para ICFER incluem betabloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), e antagonistas do receptor de mineralocorticoide (ARM), como a espironolactona. A espironolactona, em particular, demonstrou reduzir a mortalidade em pacientes com ICFER e sintomas moderados a graves (NYHA classe II-IV), devido aos seus efeitos na reversão da fibrose miocárdica e na modulação neuro-hormonal. Recentemente, a associação sacubitril/valsartana (inibidor do receptor de angiotensina-neprilisina - ARNI) e os inibidores do SGLT2 (dapagliflozina, empagliflozina) também se estabeleceram como terapias que reduzem significativamente a mortalidade e hospitalizações. A ivabradina é uma opção para pacientes com ICFER em ritmo sinusal, frequência cardíaca elevada (>70 bpm) e que permanecem sintomáticos apesar da otimização do betabloqueador. Os digitálicos, como a digoxina, são usados para controle sintomático e redução de hospitalizações, mas não têm impacto na mortalidade. É vital que residentes compreendam o papel de cada classe de medicamento e suas evidências de benefício na mortalidade para otimizar o tratamento da ICFER.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos comprovadamente reduzem a mortalidade na ICFER?

Os medicamentos que comprovadamente reduzem a mortalidade na ICFER incluem betabloqueadores, inibidores da ECA/BRA, antagonistas do receptor de mineralocorticoide (como a espironolactona), inibidores do receptor de angiotensina-neprilisina (sacubitril/valsartana) e inibidores do SGLT2.

Quando a ivabradina é indicada na insuficiência cardíaca?

A ivabradina é indicada em pacientes com ICFER, ritmo sinusal, frequência cardíaca ≥ 70 bpm, que permanecem sintomáticos apesar da dose máxima tolerada de betabloqueadores ou que têm contraindicação a eles.

Qual o papel dos digitálicos no tratamento da ICFER?

Os digitálicos (como a digoxina) são utilizados para melhorar os sintomas e reduzir hospitalizações em pacientes com ICFER, especialmente aqueles com fibrilação atrial e resposta ventricular rápida, mas não demonstraram redução da mortalidade.

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