ICFER: Otimização Terapêutica com Carvedilol e Dapagliflozina

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 72 anos, em seguimento com médico generalista devido a “coração inchado”. Passa em consulta ambulatorial devido a dispneia aos moderados esforços, associado a edema em membros inferiores. Ecocardiograma anterior evidenciando FEVE 30%, hipocinesia difusa de ventrículo esquerdo e insuficiência mitral discreta. Sinais vitais: PA 150x80, FC 80, sat 97% Exame físico: BEG, corada, hidratada, anictérica, eupneica ACV: RCR, em 2T, BNF, sopro sistólico +/6+ em foco mitral AR: mv + bilateral, sem RA MMII: edema +/4+, panturrilhas livres, TEC < 3 seg Laboratorio: Creat 0,9 / NA 138 / K 4,0 / HBA1C 5,0 (VR < 5,7) / glicemia jejum 98 (VR < 100). Medicamentos em uso: Atenolol 25 mg 12/12h, Enalapril 10 mg 12/12h, Espironolactona 25 mg cedo, Furosemida 40 mg cedo. Qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Aumentar a dose do atenolol e do enalapril, mantendo as demais medicações.
  2. B) Aumentar a dose do atenolol e do enalapril, introduzindo dapagliflozina e mantendo as demais medicações.
  3. C) Trocar o atenolol por carvedilol, introduzir anlodipino e manter demais medicações.
  4. D) Trocar o atenolol por carvedilol, aumentar a dose do enalapril, introduzir dapagliflozina e manter demais medicações.

Pérola Clínica

ICFER (FEVE 30%) = Otimizar betabloqueador (carvedilol), IECA/BRA, MRA e adicionar iSGLT2 (dapagliflozina).

Resumo-Chave

A paciente apresenta ICFER com FEVE 30% e sintomas, apesar da terapia atual. A conduta visa otimizar o tratamento com betabloqueadores (trocar atenolol por carvedilol, que tem evidência em IC), aumentar IECA e introduzir iSGLT2 (dapagliflozina), que comprovadamente reduzem mortalidade e hospitalizações em ICFER.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) é uma síndrome clínica complexa caracterizada por disfunção sistólica do ventrículo esquerdo (FEVE < 40%). É uma condição progressiva com alta morbimortalidade, sendo fundamental a otimização da terapia medicamentosa para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento da ICFER baseia-se em quatro pilares farmacológicos que comprovadamente reduzem mortalidade e hospitalizações: betabloqueadores (carvedilol, metoprolol succinato de liberação prolongada, bisoprolol), inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) ou inibidores do receptor de angiotensina-neprilisina (ARNI), antagonistas do receptor de mineralocorticoide (MRA, como espironolactona ou eplerenona) e, mais recentemente, inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2, como dapagliflozina ou empagliflozina). Neste caso, a paciente já usa IECA (enalapril), MRA (espironolactona) e diurético de alça (furosemida). O atenolol, embora seja um betabloqueador, não é o betabloqueador de escolha para ICFER devido à falta de evidências de benefício na mortalidade. A troca por carvedilol é indicada. Além disso, a introdução de um iSGLT2, como a dapagliflozina, é crucial, pois esta classe de medicamentos demonstrou benefícios significativos em pacientes com ICFER, independentemente do status diabético. A otimização das doses dos IECA também é parte do manejo.

Perguntas Frequentes

Por que o carvedilol é preferível ao atenolol na insuficiência cardíaca?

O carvedilol é um betabloqueador com ação alfa-1 bloqueadora adicional, que demonstrou reduzir mortalidade e morbidade em pacientes com ICFER, ao contrário do atenolol, que não possui essa evidência robusta para IC e não é recomendado nas diretrizes.

Qual o papel dos inibidores SGLT2 (iSGLT2) no tratamento da ICFER?

Os iSGLT2, como a dapagliflozina, são uma classe de medicamentos que comprovadamente reduzem mortalidade cardiovascular, hospitalizações por IC e progressão da doença renal em pacientes com ICFER, independentemente da presença de diabetes.

Quais são os pilares do tratamento farmacológico da ICFER?

Os pilares incluem betabloqueadores (carvedilol, metoprolol succinato, bisoprolol), inibidores da ECA/BRA/ARNI, antagonistas do receptor de mineralocorticoide (MRA, como espironolactona) e inibidores SGLT2. Todos devem ser titulados para as doses máximas toleradas.

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