UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020
Joana, 64 anos, é hipertensa há 15 anos em uso de nifedipino e hidroclorotiazida. Ela comparece à consulta queixando muito ""cansaço e falta de ar” nas suas atividades domésticas. Não consegue andar longas distâncias e necessita de pausas para descanso. Ao exame físico observa-se estertores em base pulmonar direita, turgência jugular e ictus desviado para a esquerda. Foi solicitado um ecocardiograma com disfunção sistólica e diastólica de VE, dilatação moderada das câmaras cardíacas, e fração de ejeção (FEVE) de 35%. Considerando que a paciente possui Insuficiência Cardíaca (IC), analise as afirmativas acerca do tratamento e marque a opção correta.
IC com FEVE < 35% e NYHA II/III → CDI profilático para redução de mortalidade por arritmias.
Pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FEVE < 35%) e sintomas moderados a graves (NYHA II ou III) são candidatos à terapia com cardioversor desfibrilador implantável (CDI) para prevenção primária de morte súbita cardíaca, mesmo com terapia medicamentosa otimizada.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada por sintomas e sinais resultantes de uma anormalidade estrutural ou funcional cardíaca que leva à redução do débito cardíaco e/ou elevação das pressões intracardíacas. A IC com fração de ejeção reduzida (HFrEF), definida por uma FEVE < 40%, é uma das formas mais estudadas e com terapias que comprovadamente reduzem mortalidade. A classificação funcional da NYHA (New York Heart Association) é crucial para estratificar a gravidade dos sintomas e guiar o tratamento. A fisiopatologia da HFrEF envolve uma cascata de eventos neuro-hormonais que levam à remodelação ventricular progressiva. O diagnóstico é clínico, laboratorial (BNP/NT-proBNP) e ecocardiográfico. A suspeita deve ser alta em pacientes com dispneia, fadiga, edema e história de doença cardíaca. O tratamento medicamentoso otimizado inclui IECA/BRA/ARNI, betabloqueadores e ARM, que juntos formam a base da terapia para reduzir morbidade e mortalidade. Além da terapia medicamentosa, dispositivos como o cardioversor desfibrilador implantável (CDI) desempenham um papel vital na prevenção de morte súbita cardíaca em pacientes selecionados. As diretrizes recomendam o CDI para prevenção primária em pacientes com HFrEF (FEVE ≤ 35%) em classe funcional NYHA II ou III, que já estão em terapia medicamentosa otimizada e têm uma expectativa de vida razoável. A terapia de ressincronização cardíaca (TRC) também pode ser indicada para pacientes com HFrEF e bloqueio de ramo esquerdo com QRS alargado, visando melhorar a função ventricular e os sintomas.
Pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 35%, em classe funcional NYHA II ou III, e com expectativa de vida superior a um ano, são candidatos para CDI como prevenção primária de morte súbita cardíaca, após otimização da terapia medicamentosa.
A classificação da New York Heart Association (NYHA) é fundamental para avaliar a gravidade dos sintomas e a capacidade funcional do paciente com IC. Ela orienta a escolha de terapias, como a indicação de CDI ou terapia de ressincronização cardíaca (TRC), e a otimização da terapia medicamentosa.
As principais classes são os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), betabloqueadores, antagonistas dos receptores de mineralocorticoides (ARM) e, mais recentemente, os inibidores do receptor de angiotensina-neprilisina (ARNI) e inibidores do SGLT2.
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