Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Um homem de 75 anos de idade, com antecedente de IAM há cinco anos, que se encontra no ambulatório, refere cansaço ao caminhar um quarteirão. Relata, ainda, que dorme com três travesseiros à noite, pois suas pernas têm inchado nos últimos meses. Nega dor torácica. Faz uso de AAS 100 mg/dia e atorvastatina 40 mg/dia. Levou consigo exames laboratoriais realizados por conta própria: HbA1C 7%; glicemia de jejum 109 mg/Dl; creatinina 0.9 mg/Dl; ureia 31 mg/Dl; Na 136; K 4,2; e hemograma sem alterações. Possui ecocardiograma realizado há seis meses, que demonstra fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 33%.Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a prescrição mais adequada, tendo em vista as evidências de diminuição de mortalidade.
ICFEr (FEVE < 40%) → IECA/BRA, Betabloqueador, Antagonista Receptor Mineralocorticoide (ARM) para ↓ mortalidade.
O tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) visa melhorar sintomas e, crucialmente, reduzir mortalidade. As classes de medicamentos com evidência de diminuição de mortalidade incluem inibidores da ECA (ou BRAs), betabloqueadores e antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARM), como a espironolactona. Diuréticos são para controle sintomático.
A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), definida por uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) < 40%, é uma síndrome clínica complexa com alta morbimortalidade. O manejo dessa condição é um pilar fundamental na prática cardiológica, e o conhecimento das terapias que impactam a sobrevida é essencial para residentes e profissionais. O tratamento da ICFEr é baseado em evidências robustas e visa não apenas o alívio sintomático, mas principalmente a redução de eventos cardiovasculares e mortalidade. As principais classes de medicamentos que demonstraram esse benefício incluem os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), os betabloqueadores (carvedilol, metoprolol succinato, bisoprolol) e os antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARM), como a espironolactona ou eplerenona. A combinação dessas classes é a base do tratamento. Além dessas classes, outras terapias como os inibidores do receptor de angiotensina e neprilisina (ARNI) e os inibidores do SGLT2 (iSGLT2) também demonstraram redução de mortalidade e são incorporados ao tratamento. Diuréticos (furosemida, hidroclorotiazida) são cruciais para o controle da congestão e sintomas, mas não alteram a mortalidade. A titulação gradual das doses e a monitorização de efeitos adversos, como hipercalemia e hipotensão, são importantes para otimizar o tratamento e garantir a segurança do paciente.
As classes de medicamentos que comprovadamente reduzem a mortalidade na ICFEr são os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), os betabloqueadores e os antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARM).
Os diuréticos, como a furosemida ou hidroclorotiazida, são utilizados para o controle sintomático da congestão e edema na ICFEr, melhorando a qualidade de vida, mas não demonstraram redução de mortalidade em estudos clínicos.
Betabloqueadores devem ser iniciados em pacientes com ICFEr estáveis, após otimização da volemia e sem sinais de descompensação aguda. A titulação deve ser lenta e gradual para a dose máxima tolerada, monitorando a frequência cardíaca e a pressão arterial.
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