ICFER: Cuidado com IECA e Espironolactona na IRC

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de setenta e dois anos de idade, com antecedente de hipertensão arterial há vários anos, compareceu ao ambulatório relatando dispneia decorrente de esforços maiores que os habituais, como subir escadas ou andar apressadamente. O paciente relatou, ainda, o uso irregular de um anti-hipertensivo prescrito (clortalidona). No exame físico, o idoso apresentou-se normocorado, com extremidades quentes, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 154 mmHg × 72 mmHg, turgência jugular a 30.º, ausculta pulmonar normal, ictus cordis propulsivo no 6.º espaço intercostal esquerdo da linha axilar anterior, ritmo cardíaco em galope (terceira bulha) e sem sopros. Adicionalmente, notou-se refluxo hepatojugular e edema perimaleolar bilateral. Os exames laboratoriais revelaram sódio de 144 mEq/L; potássio de 5,4 mEq/L; creatinina de 3,2 mg/dL; hemoglobina de 10,4 g/dL; e hematócrito de 31%. Os demais exames bioquímicos e a função tireoidiana estavam normais. O ecocardiograma revelou fração de ejeção de 36%.Com referência ao caso clínico acima apresentado, julgue o item que se segue.O captopril e a espironolactona devem ser acrescentados à terapêutica inicial visando melhora da qualidade de vida e aumento na sobrevida desse paciente.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

IECA e Espironolactona são padrão em ICFER, mas contraindicados com hipercalemia e IRC avançada.

Resumo-Chave

Embora IECA (captopril) e antagonistas da aldosterona (espironolactona) sejam pilares no tratamento da ICFER, a presença de hipercalemia (K 5.4 mEq/L) e insuficiência renal crônica avançada (Creatinina 3.2 mg/dL) no paciente contraindica ou exige extrema cautela na introdução desses medicamentos, devido ao risco de piora da hipercalemia e da função renal.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo. É uma condição crônica e progressiva, com alta morbimortalidade, e seu manejo envolve uma combinação de medicamentos que visam melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os antagonistas dos receptores de mineralocorticoides (ARM), como a espironolactona, são pilares no tratamento da ICFER, comprovadamente reduzindo mortalidade e hospitalizações. Eles atuam modulando o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que desempenha um papel central na fisiopatologia da IC. No entanto, seu uso requer monitoramento cuidadoso de eletrólitos e função renal. No caso apresentado, o paciente possui hipercalemia (K 5.4 mEq/L) e insuficiência renal crônica avançada (creatinina 3.2 mg/dL). Nessas condições, a introdução de captopril (IECA) e espironolactona (ARM) é contraindicada ou deve ser feita com extrema cautela e monitoramento intensivo, devido ao risco elevado de agravar a hipercalemia e a disfunção renal, o que pode ser fatal. A clortalidona, um diurético tiazídico, também pode contribuir para a hipercalemia em pacientes com insuficiência renal.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais classes de medicamentos para o tratamento da ICFER?

As principais classes incluem inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores, antagonistas dos receptores de mineralocorticoides (ARM) como a espironolactona, e inibidores do SGLT2.

Por que a hipercalemia é uma preocupação com IECA e espironolactona?

Tanto os IECA quanto os antagonistas da aldosterona podem causar ou agravar a hipercalemia, pois ambos interferem no sistema renina-angiotensina-aldosterona, que regula a excreção de potássio pelos rins.

Como a insuficiência renal afeta a escolha de medicamentos para ICFER?

A insuficiência renal limita o uso de alguns medicamentos, como IECA e espironolactona, devido ao risco de hipercalemia e piora da função renal. Nesses casos, é necessário monitoramento rigoroso ou ajuste de dose, e outras opções terapêuticas podem ser preferidas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo