ICFEr e Hipertensão: Metas Pressóricas e Tratamento Ideal

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 76 anos, diagnosticado com insuficiência cardíaca, fração de ejeção reduzida (35%), secundária a isquemia miocárdica, comparece à consulta ambulatorial trazendo M.A.P.A., demonstrando controle pressórico inadequado. Nesse caso, qual a meta pressórica e classes de medicamentos de escolha?

Alternativas

  1. A) PA < 130 x 80 mmHg. Bloqueadores do receptor da angiotensina, betabloqueadores.
  2. B) PA < 130 x 80 mmHg. Inibidores da enzima conversora de angiotensina e tiazídicos.
  3. C) PA < 120 x 75 mmHg. Vasodilatadores orais diretos e bloqueadores de canal de cálcio.
  4. D) PA < 120 x 75 mmHg. Bloqueadores do receptor da angiotensina, betabloqueadores.
  5. E) PA < 120 x 75 mmHg. Diuréticos tiazídicos e bloqueadores do receptor de angiotensina.

Pérola Clínica

Em ICFEr e HAS, meta PA < 130/80 mmHg; IECA/BRA e betabloqueadores são pilares do tratamento.

Resumo-Chave

Em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) e hipertensão, a meta pressórica é geralmente < 130/80 mmHg. As classes de medicamentos de escolha incluem inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor da angiotensina (BRA), e betabloqueadores, pois estas classes não só controlam a pressão arterial, mas também demonstraram melhorar a morbimortalidade na ICFEr.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) é uma síndrome clínica complexa caracterizada por sintomas de insuficiência cardíaca e disfunção sistólica ventricular esquerda (fração de ejeção ≤ 40%). Frequentemente, coexiste com hipertensão arterial, que é um fator de risco significativo para o desenvolvimento e progressão da ICFEr. O manejo desses pacientes visa não apenas o controle dos sintomas, mas também a redução da morbimortalidade. O tratamento da hipertensão em pacientes com ICFEr deve ser guiado pelas diretrizes de insuficiência cardíaca, priorizando medicamentos que comprovadamente melhoram os desfechos na ICFEr. A meta pressórica geralmente recomendada é < 130/80 mmHg. As classes de medicamentos de primeira linha incluem os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor da angiotensina (BRA), e os betabloqueadores, que atuam modulando o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o sistema nervoso simpático, respectivamente. Além de IECA/BRA e betabloqueadores, outras classes como os antagonistas dos receptores de mineralocorticoides (ARM) e os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2) são fundamentais no tratamento da ICFEr. A escolha e titulação dos medicamentos devem ser individualizadas, considerando as comorbidades, tolerância do paciente e a presença de congestão. O monitoramento regular da pressão arterial, função renal e eletrólitos é essencial.

Perguntas Frequentes

Quais são as classes de medicamentos essenciais no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr)?

As classes de medicamentos essenciais para a ICFEr incluem inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor da angiotensina (BRA), betabloqueadores, antagonistas dos receptores de mineralocorticoides (ARM) e inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2).

Por que os betabloqueadores são indicados na ICFEr, apesar de seu efeito inotrópico negativo inicial?

Os betabloqueadores são indicados na ICFEr porque, a longo prazo, eles atenuam a ativação neuro-hormonal crônica (sistema nervoso simpático), reduzem a frequência cardíaca, melhoram a função ventricular e diminuem a morbimortalidade, desde que iniciados em doses baixas e titulados lentamente.

Qual a importância do controle pressórico em pacientes com ICFEr?

O controle pressórico adequado em pacientes com ICFEr é crucial para reduzir a pós-carga ventricular esquerda, diminuir o estresse na parede do miocárdio, prevenir a progressão da disfunção ventricular e reduzir o risco de eventos cardiovasculares adversos, como novos infartos ou AVEs.

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