IC com FEVE Recuperada: Manutenção da Terapia Otimizada

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, do sexo masculino, 52 anos de idade, tem Insuficiência Cardíaca (IC) com Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) de 35% no início do acompanhamento, sem etiologia conhecida (após investigação inicial). Mantém-se em acompanhamento ambulatorial, com tratamento instituído desde a primeira visita médica. Atualmente, faz uso de furosemida 20 mg/dia, sacubitril/valsartana 200 mg 2 vezes por dia, carvedilol 25 mg 2 vezes ao dia, espironolactona 25 mg/dia e empagliflozina 10 mg/dia. Após 1 ano de acompanhamento, o paciente retorna relatando estado clínico compatível com classe funcional I pela New York Heart Association (NYHA). No exame físico, apresenta PA de 98x64 mmHg e FC de 52 bpm. Apresenta um ecocardiograma recente com FEVE = 54%. Tem exames de meses consecutivos de creatinina de 1,57 mg/dL (TFG de 53 mL/min) e potássio de 4,9 mEq/L. Assinale a alternativa que apresenta a conduta farmacológica adequada.

Alternativas

  1. A) Reduzir dose de sacubitril/valsartana e carvedilol.
  2. B) Suspender a terapia específica de IC de FEVE reduzida.
  3. C) Trocar sacubitril/valsartana por hidralazina/isossorbida.
  4. D) Manter os medicamentos e as doses atuais.

Pérola Clínica

ICFER com FEVE recuperada e CF I → Manter terapia otimizada para prevenir recorrência e remodelamento reverso.

Resumo-Chave

Mesmo com a melhora da Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) e a melhora clínica para Classe Funcional I da NYHA, a terapia otimizada para Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER) deve ser mantida. A suspensão ou redução das doses pode levar à recidiva da disfunção ventricular e dos sintomas, pois a melhora da FEVE não significa cura da doença subjacente.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Recuperada (ICFER) é uma condição cada vez mais reconhecida, onde pacientes com IC com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER, FEVE < 40%) experimentam uma melhora significativa da função ventricular esquerda (> 40%), muitas vezes acompanhada de melhora sintomática. Essa recuperação é frequentemente atribuída à otimização da terapia medicamentosa e ao tratamento de causas reversíveis. É um cenário clínico importante para residentes, pois a conduta adequada impacta diretamente o prognóstico do paciente. A fisiopatologia da ICFER envolve o remodelamento reverso do ventrículo esquerdo, onde as alterações estruturais e funcionais induzidas pela IC são parcialmente revertidas. Os medicamentos como sacubitril/valsartana, carvedilol, espironolactona e empagliflozina desempenham papéis cruciais nesse processo, atuando em diferentes vias neuro-hormonais e metabólicas. A melhora da FEVE e da classe funcional não significa a cura da doença subjacente, mas sim uma estabilização do quadro. As diretrizes atuais de tratamento da IC enfatizam a importância de manter a terapia otimizada mesmo em pacientes com ICFER. A suspensão dos medicamentos pode levar à recidiva da disfunção ventricular e dos sintomas, piorando o prognóstico. Portanto, a conduta farmacológica adequada é a manutenção dos medicamentos e das doses atuais, monitorando a pressão arterial, frequência cardíaca, função renal e eletrólitos, para garantir a segurança e eficácia a longo prazo.

Perguntas Frequentes

O que significa Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Recuperada (ICFER)?

ICFER refere-se a pacientes que inicialmente apresentavam Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (FEVE < 40%) e que, após tratamento, tiveram sua FEVE melhorada para > 40%, com ou sem resolução dos sintomas.

Por que é importante manter a terapia otimizada mesmo com a melhora da FEVE?

A manutenção da terapia otimizada é crucial para prevenir a recorrência da disfunção ventricular e dos sintomas, estabilizar o remodelamento reverso e melhorar o prognóstico a longo prazo, mesmo em pacientes assintomáticos.

Quais são os pilares da terapia medicamentosa para ICFER, mesmo após a recuperação da FEVE?

Os pilares incluem inibidores da ECA/BRA/ARNI (sacubitril/valsartana), betabloqueadores (carvedilol), antagonistas do receptor de mineralocorticoide (espironolactona) e inibidores do SGLT2 (empagliflozina), que comprovadamente reduzem morbimortalidade.

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