ICFEP: Diagnóstico e Manejo da Insuficiência Cardíaca

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 63 anos de idade, com queixa de dispneia leve aos esforços e presença de sinais de congestão ao exame físico, realizou ecocardiograma que evidenciou sinais de remodelamento cardíaco, disfunção diastólica importante e fração de ejeção de ventrículo esquerdo de 61%. Quanto ao diagnóstico e o tratamento desse paciente, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Apresenta insuficiência cardíaca de fração de ejeção preservada, com indicação de uso de betabloqueador.
  2. B) Apresenta insuficiência cardíaca de fração de ejeção preservada, com indicação de tiazídicos para manejo volêmico.
  3. C) Apresenta insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida, sendo a espironolactona parte da terapia.
  4. D) Apresenta insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida terminal, com indicação de transplante cardíaco.
  5. E) Não apresenta insuficiência cardíaca e deve prosseguir com investigação respiratória.

Pérola Clínica

ICFEP = FEVE > 50% + sinais de IC + disfunção diastólica. Manejo volêmico com tiazídicos é chave.

Resumo-Chave

O paciente apresenta Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP), caracterizada por sintomas de IC, sinais de congestão, disfunção diastólica e FEVE > 50%. O tratamento foca no manejo dos sintomas e comorbidades, sendo os diuréticos (como tiazídicos) essenciais para controle volêmico.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) é uma síndrome clínica complexa, responsável por aproximadamente metade dos casos de insuficiência cardíaca. Caracteriza-se por sintomas e sinais de insuficiência cardíaca, mas com uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) normal ou levemente reduzida (geralmente > 50%). Sua prevalência aumenta com a idade e está frequentemente associada a comorbidades como hipertensão arterial, diabetes, obesidade e doença renal crônica, que contribuem para o remodelamento cardíaco e a disfunção diastólica. A fisiopatologia da ICFEP envolve principalmente a disfunção diastólica, onde o ventrículo esquerdo tem dificuldade em relaxar e se encher adequadamente, levando a pressões de enchimento elevadas e congestão pulmonar e sistêmica. O diagnóstico é clínico e ecocardiográfico, com a demonstração de disfunção diastólica e FEVE preservada. É crucial diferenciar a ICFEP de outras causas de dispneia, como doenças pulmonares. O tratamento da ICFEP é desafiador, pois, ao contrário da IC com fração de ejeção reduzida (ICFER), não há uma terapia única que comprovadamente reduza a mortalidade. O manejo foca no controle dos sintomas, especialmente a congestão, e no tratamento das comorbidades. Diuréticos, como os tiazídicos, são a base para o controle volêmico e alívio da dispneia e edema. Outras terapias visam controlar a pressão arterial, diabetes e fibrilação atrial, melhorando a qualidade de vida e reduzindo hospitalizações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP)?

A ICFEP é diagnosticada pela presença de sintomas e sinais de insuficiência cardíaca, evidência de disfunção diastólica ou pressões de enchimento elevadas, e uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) preservada, geralmente > 50%.

Qual o papel dos diuréticos tiazídicos no tratamento da ICFEP?

Os diuréticos tiazídicos são fundamentais no tratamento da ICFEP para o manejo da congestão e dos sintomas de dispneia e edema. Eles ajudam a reduzir a pré-carga e aliviar a sobrecarga volêmica, melhorando a qualidade de vida do paciente.

Por que o tratamento da ICFEP difere do tratamento da IC com fração de ejeção reduzida (ICFER)?

O tratamento da ICFEP difere da ICFER porque, na ICFEP, a disfunção primária é diastólica, não sistólica. As terapias que melhoram a sobrevida na ICFER (como betabloqueadores, IECA/BRA, antagonistas de receptores mineralocorticoides) não demonstraram o mesmo benefício na ICFEP, que foca mais no controle de sintomas e comorbidades.

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