ICFEP: Terapias e Impacto na Mortalidade em Residentes

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020

Enunciado

No paciente com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, qual terapia medicamentosa demonstrou REDUÇÃO na mortalidade?

Alternativas

  1. A) nenhuma terapia reduziu a mortalidade.
  2. B) sacubitril + Valsartana.
  3. C) betabloqueadores.
  4. D) inibidores da enzima de conversão da angiotensina.
  5. E) espironolactona.

Pérola Clínica

ICFEP: Até o momento, nenhuma terapia medicamentosa demonstrou redução significativa da mortalidade.

Resumo-Chave

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP) é um desafio terapêutico. Diferente da ICFER, onde várias classes de medicamentos reduzem mortalidade, na ICFEP o foco principal tem sido no controle de sintomas e comorbidades, embora novas terapias como inibidores de SGLT2 mostrem promessa em desfechos compostos.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada por sintomas de insuficiência cardíaca e evidência objetiva de disfunção diastólica ou pressões de enchimento elevadas, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo ≥ 50%. Representa cerca de metade dos casos de insuficiência cardíaca e sua prevalência está aumentando, especialmente em idosos e mulheres, com alta morbidade e mortalidade. A compreensão de sua fisiopatologia, que envolve disfunção diastólica, inflamação, fibrose miocárdica e disfunção microvascular, é crucial para o manejo. O diagnóstico da ICFEP é desafiador e exige uma combinação de achados clínicos, eletrocardiográficos, ecocardiográficos e biomarcadores (como peptídeos natriuréticos). É fundamental excluir outras causas de dispneia e edema. A suspeita deve surgir em pacientes com sintomas de IC, mas com FEVE preservada, especialmente na presença de hipertensão, diabetes, obesidade e doença renal crônica. O ecocardiograma com Doppler tecidual é essencial para avaliar a função diastólica e as pressões de enchimento. Até recentemente, nenhuma terapia medicamentosa havia demonstrado redução da mortalidade na ICFEP, sendo o tratamento focado no controle de sintomas e manejo de comorbidades. No entanto, estudos recentes com inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2), como empagliflozina e dapagliflozina, demonstraram redução significativa no desfecho composto de morte cardiovascular ou hospitalizações por insuficiência cardíaca, representando um avanço importante. O manejo inclui diuréticos para alívio da congestão e tratamento agressivo de comorbidades como hipertensão, diabetes e fibrilação atrial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desafios no tratamento da ICFEP?

Os principais desafios incluem a heterogeneidade da doença, a dificuldade em identificar alvos terapêuticos eficazes e a presença de múltiplas comorbidades que contribuem para a progressão da doença. O foco é no controle de sintomas e manejo de comorbidades.

Quais medicamentos são usados na ICFEP, mesmo sem reduzir mortalidade?

Diuréticos são usados para controle de sintomas de congestão. Inibidores de SGLT2 (como dapagliflozina e empagliflozina) demonstraram reduzir hospitalizações por IC e morte cardiovascular em estudos recentes, mas não a mortalidade total isoladamente. IECA/BRA, betabloqueadores e antagonistas de mineralocorticoides são usados para comorbidades, mas não têm benefício de mortalidade na ICFEP.

Como a ICFEP difere da ICFER em termos de tratamento?

Na ICFER (fração de ejeção reduzida), há várias classes de medicamentos (IECA/BRA/ARNI, betabloqueadores, antagonistas de mineralocorticoides, inibidores de SGLT2) que comprovadamente reduzem a mortalidade. Na ICFEP, o tratamento é mais focado no controle de sintomas e comorbidades, com os inibidores de SGLT2 sendo a classe mais promissora para desfechos compostos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo