Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada: Diagnóstico

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020

Enunciado

Considere uma paciente feminina, 55 anos, atendida no pronto-socorro com história de dispneia aos moderados esforços há 45 dias, com piora progressiva, associada a ortopneia, dispneia paroxística noturna e edema progressivo de membros inferiores. Ao exame, em repouso, a paciente apresenta frequência respiratória de 26 irpm, saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente, pressão arterial de 161/91 mmHg; frequência cardíaca de 89 bpm, edema de membros inferiores ++/4 e presença de turgência jugular. A ausculta cardíaca não apresenta alterações. Na ausculta pulmonar apresentava estertores finos discretos em ambos as extremidades inferiores dos campos pulmonares posteriores. A paciente foi internada e submetida a ecodopplercardiografia, que mostrou uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 66% pelo método biplanar de Simpson. Assinale a alternativa correta em relação ao caso:

Alternativas

  1. A) A paciente apresenta uma dispneia de causa pulmonar já que a função contrátil do ventrículo esquerdo é normal.
  2. B) Os sinais e sintomas apresentados pelo paciente são compatíveis com o diagnóstico de cor pulmonale.
  3. C) Um resultado negativo na dosagem do peptídeo natriurético atrial é suficiente para descartar insuficiência cardíaca nessa paciente.
  4. D) O paciente apresenta insuficiência cardíaca congestiva com fração de ejeção preservada do ventrículo esquerdo.
  5. E) Não há outros parâmetros na ecodopplercardiografia, além da fração de ejeção do ventrículo esquerdo, que possam corroborar o diagnóstico de insuficiência cardíaca.

Pérola Clínica

Dispneia, ortopneia, edema + FEVE preservada = Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP).

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas clássicos de insuficiência cardíaca (dispneia, ortopneia, DPN, edema, turgência jugular, estertores), mas com uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) normal (66%). Isso é o quadro típico de Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP), onde a disfunção é diastólica, ou seja, o coração tem dificuldade em relaxar e se encher adequadamente.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) é uma síndrome clínica caracterizada por sinais e sintomas de insuficiência cardíaca na presença de uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) normal ou preservada (geralmente >50%). Representa cerca de metade de todos os casos de insuficiência cardíaca e sua prevalência está aumentando, especialmente em idosos e mulheres, sendo frequentemente associada a comorbidades como hipertensão, diabetes e obesidade. A fisiopatologia da ICFEP é complexa e envolve principalmente disfunção diastólica, onde o ventrículo esquerdo tem dificuldade em relaxar e se encher adequadamente, levando a um aumento das pressões de enchimento e, consequentemente, à congestão pulmonar e sistêmica. O diagnóstico requer a presença de sintomas e sinais de IC, uma FEVE preservada e evidências objetivas de disfunção diastólica ou aumento das pressões de enchimento do VE, geralmente obtidas por ecocardiografia. O tratamento da ICFEP foca no manejo das comorbidades e no alívio sintomático. Não há uma terapia única que comprovadamente melhore a mortalidade, como na IC com FEVE reduzida. Diuréticos são usados para controle da congestão. O controle rigoroso da pressão arterial, diabetes e fibrilação atrial é fundamental. Novas terapias, como os inibidores de SGLT2, têm mostrado benefícios promissores na redução de hospitalizações e eventos cardiovasculares.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP)?

Os sinais e sintomas da ICFEP são semelhantes aos da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, incluindo dispneia (aos esforços, ortopneia, dispneia paroxística noturna), fadiga, edema de membros inferiores, turgência jugular e estertores pulmonares. A diferença é a FEVE normal.

Como o ecocardiograma auxilia no diagnóstico da ICFEP, além da FEVE?

Além de uma FEVE preservada (>50%), o ecocardiograma na ICFEP pode mostrar evidências de disfunção diastólica, como alterações nos padrões de fluxo mitral (relação E/A, tempo de desaceleração), aumento da pressão de enchimento do VE (relação E/e'), aumento do volume atrial esquerdo e hipertrofia ventricular esquerda.

Um peptídeo natriurético negativo pode descartar ICFEP?

Embora níveis elevados de peptídeos natriuréticos (BNP ou NT-proBNP) sejam úteis para corroborar o diagnóstico de insuficiência cardíaca, um resultado negativo não é suficiente para descartar ICFEP, especialmente em pacientes com obesidade, onde os níveis podem ser falsamente baixos, ou em fases iniciais da doença.

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