ICFEp: Manejo da Insuficiência Cardíaca com FE Preservada

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 65 anos de idade, comparece ao pronto-socorro com queixa de dispneia aos esforços. Antecedentes de Diabetes Mellitus, hipertensão arterial sistêmica e infarto agudo do miocárdio há 3 anos, com necessidade de revascularização. Faz uso de hidroclorotiazida 25 mg/dia e metformina 2.550 mg/dia, com bom controle das comorbidades. Ao exame físico, notam-se estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares e estase jugular a 45 graus. Ecocardiograma evidencia hipocinesia apical e fração de ejeção = 52%. O eletrocardiograma encontra-se reproduzido a seguir: A prescrição deste paciente deverá conter:

Alternativas

  1. A) Espironolactona, amiodarona, varfarina.
  2. B) Enalapril, atenolol, varfarina.
  3. C) Sacubitril + valsartana, atenolol, enoxaparina.
  4. D) Espironolactona, carvedilol, amiodarona.
  5. E) Enalapril, carvedilol, enoxaparina.

Pérola Clínica

ICFEp com congestão → IECA/BRA, BB e diurético para sintomas. Anticoagulação se FA ou profilaxia TVP.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de insuficiência cardíaca descompensada (dispneia, estertores, estase jugular) com fração de ejeção preservada (ICFEp). O tratamento para ICFEp foca no controle das comorbidades e alívio sintomático. Enalapril (IECA) e Carvedilol (betabloqueador) são pilares para pacientes com IAM prévio e HAS, além de serem benéficos na IC. A enoxaparina sugere necessidade de anticoagulação, seja por fibrilação atrial (ritmo irregular, embora não explícito no ECG) ou profilaxia de TVP/TEP em contexto de internação por descompensação cardíaca.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada por sintomas como dispneia e fadiga, resultantes de uma disfunção estrutural ou funcional do coração que compromete o enchimento ventricular ou a ejeção de sangue. A prevalência aumenta com a idade e com a presença de comorbidades como hipertensão, diabetes e doença arterial coronariana. A classificação da IC pela fração de ejeção (FE) é fundamental para o manejo, distinguindo entre IC com FE reduzida (ICFER, FE <40%), levemente reduzida (ICFElr, FE 41-49%) e preservada (ICFEp, FE ≥50%). No caso de ICFEp, como no paciente com FE de 52%, a fisiopatologia envolve principalmente disfunção diastólica, com rigidez ventricular e comprometimento do enchimento. O diagnóstico baseia-se em sintomas, sinais de congestão (estertores, estase jugular), evidência de disfunção cardíaca (ecocardiograma) e níveis elevados de peptídeos natriuréticos. É crucial investigar e tratar as comorbidades, que frequentemente contribuem para a patogênese da ICFEp, como hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus. O tratamento da ICFEp é focado no controle das comorbidades e no alívio sintomático. IECA/BRA e betabloqueadores são indicados para o manejo da hipertensão e pós-infarto, e diuréticos são essenciais para controlar a congestão. A anticoagulação, como com enoxaparina, pode ser necessária em situações específicas, como fibrilação atrial ou profilaxia de trombose venosa profunda em pacientes internados. A abordagem terapêutica deve ser individualizada, visando melhorar a qualidade de vida e reduzir hospitalizações.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento farmacológico para ICFEp?

O tratamento da ICFEp foca no controle das comorbidades (HAS, DM, DAC) e no alívio sintomático da congestão. IECA/BRA e betabloqueadores são importantes para o manejo da HAS e pós-IAM, e diuréticos são usados para reduzir a congestão.

Quando a anticoagulação é indicada em pacientes com insuficiência cardíaca?

A anticoagulação é indicada em pacientes com insuficiência cardíaca que apresentam fibrilação atrial, trombo intracavitário ou outras condições trombogênicas. A escolha do anticoagulante (varfarina, NOACs, enoxaparina) depende da cronicidade e do contexto clínico.

Qual a importância da fração de ejeção na insuficiência cardíaca?

A fração de ejeção (FE) é crucial para classificar a IC em com FE reduzida (ICFER), levemente reduzida (ICFElr) ou preservada (ICFEp), o que direciona o tratamento. Pacientes com ICFER têm terapias específicas que comprovadamente reduzem mortalidade, enquanto na ICFEp o foco é no manejo das comorbidades.

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