CEOQ - Centro Especializado Oftalmológico Queiroz (BA) — Prova 2021
Paciente de 52 anos, portadora de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada compensada é submetida à correção de hérnia incisional após liberação do cardiologista e avaliação pré-anestesica. O tempo do procedimento cirúrgico foi de 2 horas, tempo total de anestesia geral balanceada de 2 horas e 30 minutos, com volume total infundido de 1.500 ml de cristaloides, sem necessidade de transfusão de hemoderivados, diurese quantificada em coletor de urina por sonda de demora de 600 ml. É extubada sem intercorrências, porém na sala de recuperação anestésica queixa-se de dispneia e palpitações. Nega dor torácica. Sem nenhum sintoma neurológico. Sinais vitais: pressão arterial: 180/70 mmHg, frequência cardíaca: 116 bpm, frequência respiratória: 18 irpm, saturação periférica de oxigênio em ar ambiente: 90%, temperatura axilar: 36.5ºC. Foi submetida ao eletrocardiograma e à radiografia de tórax abaixo. O provável motivo dos sintomas acima relatados são:
ICFEP + sobrecarga volêmica pós-op → Risco ↑ de FA e congestão pulmonar.
Pacientes com Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) são particularmente vulneráveis à sobrecarga volêmica no perioperatório, que pode precipitar congestão pulmonar e arritmias como a fibrilação atrial, manifestando-se como dispneia e palpitações.
Pacientes com Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) representam um desafio particular no período perioperatório devido à sua fisiopatologia única. Diferente da IC com fração de ejeção reduzida, na ICFEP o problema principal é a disfunção diastólica, ou seja, a dificuldade do ventrículo esquerdo em relaxar e se encher adequadamente. Isso torna esses pacientes extremamente sensíveis a alterações no volume intravascular. No contexto cirúrgico, a infusão de fluidos para manter a volemia e a pressão arterial pode facilmente levar à sobrecarga volêmica em pacientes com ICFEP. Um balanço hídrico positivo, mesmo que aparentemente modesto, pode elevar as pressões de enchimento cardíacas, resultando em congestão pulmonar, manifestada por dispneia e hipoxemia. A taquicardia, como a fibrilação atrial, também é uma complicação comum no pós-operatório, exacerbada pelo estresse cirúrgico, inflamação e sobrecarga de volume, contribuindo para a descompensação cardíaca. O manejo perioperatório desses pacientes exige uma avaliação pré-anestésica minuciosa, otimização da função cardíaca antes da cirurgia e um controle rigoroso do balanço hídrico durante e após o procedimento. A monitorização hemodinâmica pode ser útil para guiar a terapia volêmica. O reconhecimento precoce de sintomas como dispneia e palpitações no pós-operatório, juntamente com a interpretação de exames como ECG e radiografia de tórax, é fundamental para o diagnóstico e tratamento rápido de complicações como fibrilação atrial e congestão pulmonar.
Pacientes com ICFEP têm ventrículos rígidos e menos complacentes, o que os torna intolerantes a aumentos súbitos de volume. Mesmo volumes moderados podem elevar as pressões de enchimento e causar congestão pulmonar.
A fibrilação atrial é uma das arritmias mais comuns no pós-operatório, especialmente em pacientes com doença cardíaca preexistente, devido ao estresse cirúrgico, inflamação e alterações hemodinâmicas.
A sobrecarga volêmica pode ser evitada com monitoramento rigoroso do balanço hídrico, uso criterioso de cristaloides e, em alguns casos, diuréticos profiláticos ou monitoramento hemodinâmico avançado.
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