ICFEp: Manejo da Insuficiência Cardíaca com Fração Preservada

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 52 anos apresenta dispneia aos esforços há dois anos, progressiva, com melhora ao repouso. Há dois meses, iniciou inchaço nas pernas. AP: HAS não controlada há 15 anos. Exame físico: estase jugular 2+/4+, crepitações pulmonares em bases bilaterais e edema de membros inferiores. Rx de tórax: sinais de congestão pulmonar. Ecocardiograma: câmaras cardíacas com dimensões normais, aumento da espessura da parede do ventrículo esquerdo, fração de ejeção de 51%. Com o objetivo de aumentar a sobrevida e melhorar os sintomas, a melhor conduta é

Alternativas

  1. A) inibidor da enzima conversora da angiotensina e betabloqueador.
  2. B) controle da pressão arterial e introduzir diurético.
  3. C) betabloqueador e ivabradina.
  4. D) antagonistas dos canais de cálcio e associação sacubitril-valsartana.

Pérola Clínica

ICFEp → foco no controle de comorbidades (HAS) e alívio sintomático (diuréticos para congestão).

Resumo-Chave

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp) é caracterizada por disfunção diastólica e FEVE ≥ 50%. O tratamento visa controlar comorbidades como hipertensão arterial e diabetes, e aliviar sintomas de congestão com diuréticos, pois não há terapia específica que reduza mortalidade de forma consistente como na HFrEF.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp) representa cerca de metade dos casos de insuficiência cardíaca e é um desafio diagnóstico e terapêutico. Caracteriza-se por sintomas de IC (dispneia, edema) com uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≥ 50%, geralmente associada a disfunção diastólica. A prevalência aumenta com a idade e é mais comum em mulheres e pacientes com hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes. A fisiopatologia da ICFEp é complexa, envolvendo rigidez miocárdica, disfunção endotelial, inflamação e fibrose, resultando em aumento das pressões de enchimento do VE. O diagnóstico é clínico, com suporte do ecocardiograma que demonstra FEVE preservada e sinais de disfunção diastólica. O paciente típico é idoso, hipertenso, com dispneia aos esforços e edema. O tratamento da ICFEp difere da IC com fração de ejeção reduzida (HFrEF). Não há uma terapia medicamentosa que comprovadamente reduza a mortalidade. A conduta principal visa o controle rigoroso das comorbidades (HAS, diabetes, obesidade, fibrilação atrial) e o alívio sintomático da congestão com diuréticos. O controle da pressão arterial é crucial para reduzir a hipertrofia e melhorar a função diastólica. O prognóstico da ICFEp é semelhante ao da HFrEF, com alta morbidade e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são as características diagnósticas da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp)?

A ICFEp é diagnosticada pela presença de sintomas e sinais de insuficiência cardíaca, fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≥ 50%, e evidência de disfunção diastólica ou pressões de enchimento elevadas, geralmente com hipertrofia ventricular esquerda.

Qual é a principal estratégia de tratamento para aumentar a sobrevida na ICFEp?

Ao contrário da HFrEF, não há uma terapia medicamentosa específica que demonstre consistentemente reduzir a mortalidade na ICFEp. O tratamento foca no controle rigoroso das comorbidades, como hipertensão arterial, diabetes e fibrilação atrial, e no alívio sintomático da congestão com diuréticos.

Por que o controle da pressão arterial é tão importante na ICFEp?

A hipertensão arterial é a comorbidade mais comum e um fator causal importante na ICFEp, contribuindo para a hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica. O controle adequado da PA é fundamental para reduzir a carga sobre o coração, prevenir a progressão da doença e melhorar os sintomas.

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