CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Considerando a insuficiência cardíaca, qual das alternativas abaixo é verdadeira?
IC diastólica = Coração com dificuldade de enchimento, mas função contrátil normal (ICFEp).
A insuficiência cardíaca diastólica (ou insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada - ICFEp) é caracterizada pela dificuldade do ventrículo em se encher adequadamente de sangue durante a diástole, devido a um relaxamento prejudicado ou aumento da rigidez miocárdica. No entanto, a capacidade de contração (função sistólica) do coração permanece normal ou minimamente alterada.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue em quantidade suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo, ou de fazê-lo apenas com pressões de enchimento elevadas. Tradicionalmente, a IC era associada à disfunção sistólica (redução da fração de ejeção). No entanto, a insuficiência cardíaca diastólica, ou insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp), representa uma parcela significativa dos casos de IC, especialmente em idosos e mulheres. A ICFEp é definida pela presença de sinais e sintomas de insuficiência cardíaca, com uma fração de ejeção ventricular esquerda normal ou preservada (geralmente ≥ 50%), e evidência de disfunção diastólica. A fisiopatologia envolve principalmente a dificuldade do ventrículo esquerdo em relaxar e se encher adequadamente durante a diástole, devido a um aumento da rigidez miocárdica e/ou relaxamento prejudicado. Isso leva a pressões de enchimento elevadas, resultando em congestão pulmonar e sistêmica, mesmo com uma função de bombeamento sistólica normal. Para residentes, é crucial diferenciar a ICFEp da IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr), pois o manejo e o prognóstico podem variar. O tratamento da ICFEp foca no controle rigoroso das comorbidades subjacentes, como hipertensão arterial, diabetes mellitus e fibrilação atrial, além do manejo sintomático da congestão com diuréticos. Recentemente, inibidores da SGLT2 demonstraram benefício na redução de hospitalizações e mortalidade em pacientes com ICFEp, marcando um avanço importante no tratamento dessa condição desafiadora.
As causas mais comuns incluem hipertensão arterial sistêmica de longa data, diabetes mellitus, doença arterial coronariana, obesidade, idade avançada e fibrilação atrial, que levam à hipertrofia ventricular e fibrose miocárdica, prejudicando o relaxamento e a complacência ventricular.
O diagnóstico é clínico, com sintomas de insuficiência cardíaca (dispneia, fadiga, edema), associado à evidência de disfunção diastólica no ecocardiograma e uma fração de ejeção ventricular esquerda preservada (geralmente > 50%).
O tratamento foca no controle das comorbidades (hipertensão, diabetes, fibrilação atrial), manejo dos sintomas de congestão com diuréticos e, em alguns casos, uso de inibidores da SGLT2, que demonstraram benefício na ICFEp.
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