INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Um homem de 70 anos de idade é atendido no Ambulatório de Cardiologia com queixa de dispneia aos grandes esforços há um mês, com progressão para os médios esforços. Trata-se de paciente hipertenso, em tratamento irregular com clortalidona (25 mg/dia), tabagista há 30 anos (20 cigarros/dia). Ao exame físico, estava orientado, hipocorado (++/4+), hidratado. A ausculta cardíaca apresenta-se com ritmo cardíaco regular, hiperfonese em B2, sem sopros; ausculta pulmonar com sibilos esparsos e estertores crepitantes em bases. Pressão arterial = 170 x 90 mmHg, frequência cardíaca = 85 bpm e IMC = 32 kg/m². Eletrocardiogramas anteriores demonstravam sobrecarga atrial esquerda. O ecocardiograma atual evidencia parede posterior do ventrículo esquerdo de 14 mm (VR < 11 mm), septo interventricular de 14 mm (VR < 11 mm), fração de ejeção de 65% (VR > 58%). A radiografia de tórax demonstra área cardíaca normal, com inversão de trama vascular. Quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta apropriada a ser estabelecida nesse caso?
Dispneia + FEVE preservada + HVE ao ECO = Insuficiência Cardíaca Diastólica (ICFEP).
A ICFEP é caracterizada por sintomas de congestão pulmonar apesar de uma função sistólica normal, sendo a hipertensão crônica sua principal etiologia.
O caso descreve um paciente idoso, hipertenso e tabagista com sinais clássicos de congestão pulmonar (estertores, inversão de trama vascular) e hipertrofia ventricular esquerda (septo e parede de 14mm). A fração de ejeção de 65% confirma que a função de bomba está preservada, caracterizando a insuficiência cardíaca diastólica (ICFEP). A fisiopatologia envolve a redução da complacência ventricular devido à hipertrofia e fibrose, elevando as pressões diastólicas finais que se transmitem retrogradamente para os pulmões. O tratamento foca no controle rigoroso da PA e da volemia, sendo os iECA e diuréticos fundamentais.
O diagnóstico baseia-se na presença de sinais e sintomas de insuficiência cardíaca, evidência de fração de ejeção preservada (geralmente ≥ 50%) e evidência objetiva de disfunção diastólica ou pressões de enchimento elevadas (como HVE, aumento do átrio esquerdo ou elevação de peptídeos natriuréticos).
Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (iECA) auxiliam no controle da pressão arterial, que é o principal driver da ICFEP, e promovem o remodelamento reverso da hipertrofia ventricular esquerda, melhorando a complacência do ventrículo durante a diástole.
Clinicamente, ambas podem ser indistinguíveis, apresentando dispneia, ortopneia e edema. A diferenciação é feita pelo ecocardiograma: na sistólica, a fração de ejeção está reduzida; na diastólica, a fração de ejeção é normal, mas há sinais de dificuldade de relaxamento ventricular.
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