Insuficiência Cardíaca: Diagnóstico Clínico e Eletrocardiográfico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 53 anos com queixa de dispneia aos esforços e edema de membros inferiores há um mês, com piora progressiva. Há dois dias dorme sentado e acorda de madrugada sufocado. Realizou ECG, conforme a figura a seguir.Os diagnósticos clínico e eletrocardiográfico, respectivamente, são

Alternativas

  1. A) síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST; infradesnivelamento do segmento ST em parede anterior.
  2. B) síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento do segmento ST; supradesnivelamento do segmento ST em parede anterior.
  3. C) edema agudo de pulmão; sobrecarga ventricular esquerda.
  4. D) insuficiência cardíaca; sobrecarga ventricular esquerda.

Pérola Clínica

Dispneia + edema + ortopneia → Insuficiência Cardíaca. ECG com sobrecarga VE = hipertrofia ventricular esquerda.

Resumo-Chave

Os sintomas apresentados (dispneia aos esforços, edema de membros inferiores, ortopneia e dispneia paroxística noturna) são clássicos da insuficiência cardíaca. O ECG, ao mostrar sobrecarga ventricular esquerda, corrobora o diagnóstico de uma condição crônica que leva à remodelação cardíaca.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, resultante de qualquer alteração estrutural ou funcional cardíaca que comprometa o enchimento ventricular ou a ejeção de sangue. É uma das principais causas de morbimortalidade global, com alta prevalência em idosos e significativa carga para os sistemas de saúde. O reconhecimento precoce dos sintomas e sinais é crucial para o manejo adequado e melhora do prognóstico dos pacientes. O diagnóstico da IC é primariamente clínico, baseado em sintomas como dispneia, fadiga e edema, e sinais como turgência jugular e estertores pulmonares. Exames complementares, como o eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma e peptídeos natriuréticos, são fundamentais para confirmar o diagnóstico, identificar a etiologia e avaliar a gravidade. A sobrecarga ventricular esquerda no ECG, por exemplo, é um achado comum que reflete a adaptação do coração a condições de sobrecarga de pressão ou volume, como hipertensão arterial sistêmica ou estenose aórtica, que podem levar à IC. O tratamento da IC é multifacetado, envolvendo modificações no estilo de vida, terapia medicamentosa (inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores, antagonistas de mineralocorticoides, iSGLT2) e, em casos selecionados, dispositivos cardíacos ou cirurgia. O objetivo é aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e reduzir hospitalizações e mortalidade. Para residentes, é vital dominar o diagnóstico clínico e a interpretação dos exames complementares para iniciar a terapia adequada e monitorar a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da insuficiência cardíaca descompensada?

Os principais sintomas incluem dispneia aos esforços, ortopneia (dispneia ao deitar), dispneia paroxística noturna, edema de membros inferiores, fadiga e tosse. A piora progressiva desses sintomas sugere descompensação.

Como a sobrecarga ventricular esquerda se manifesta no eletrocardiograma?

A sobrecarga ventricular esquerda no ECG é caracterizada por critérios de voltagem aumentados (ex: índice de Sokolow-Lyon), desvio do eixo elétrico para a esquerda e alterações secundárias da repolarização (infradesnivelamento de ST e inversão de onda T em derivações precordiais esquerdas).

Qual a importância do ECG no diagnóstico da insuficiência cardíaca?

O ECG é uma ferramenta diagnóstica inicial importante na insuficiência cardíaca, pois pode revelar sinais de hipertrofia ventricular, arritmias, isquemia ou infarto prévio, que são causas ou consequências da doença. No entanto, um ECG normal não exclui o diagnóstico.

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