Dispneia em Idosos: Investigação e Diagnóstico de IC

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Um homem de 62 anos de idade, previamente hipertenso, refere que estava compensado e assintomático quando começou, há cinco meses, com dispneia aos esforços, após uma sensação de opressão no tórax, que melhorava parcialmente com o repouso e que perdurou cerca de cinco dias. Ele não procurou o serviço médico na época. Nega tosse, expectoração ou chiado. Nega tabagismo. Exame físico: PA de 140 x 76 mmHg; FC de 86 bpm; e saturação de O₂ (ar ambiente) de 91%. Ausculta cardíaca: hiperfonese e desdobramento de segunda bulha em foco pulmonar. Turgência jugular bilateral. Presença de estertores bibasais e de edema de membros inferiores. Exames laboratoriais: hemoglobina 12,2 g/dL; leucócitos 8.500/mm³; e plaquetas 152.000/mm³. Realizou, também, a radiografia de tórax reproduzida a seguir.Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que o exame indicado para se iniciar a investigação da dispneia do paciente é:

Alternativas

  1. A) tomografia computadorizada de tórax.
  2. B) prova de função pulmonar.
  3. C) ecocardiograma transtorácico.
  4. D) cintilografia de ventilação-perfusão.
  5. E) angiotomografia de coronária.

Pérola Clínica

Dispneia + sintomas IC (edema, estertores, turgência jugular) + cardiomegalia RX → Ecocardiograma para investigar disfunção cardíaca.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clínico sugestivo de insuficiência cardíaca (dispneia, dor torácica prévia, sinais de congestão pulmonar e sistêmica, cardiomegalia no RX). O ecocardiograma é o exame inicial de escolha para avaliar a função cardíaca, identificar valvopatias e quantificar a fração de ejeção.

Contexto Educacional

A dispneia é um sintoma comum e inespecífico, mas em pacientes idosos com histórico de hipertensão e queixas como dor torácica prévia, ela deve levantar a suspeita de doença cardíaca. O caso clínico apresenta múltiplos sinais e sintomas sugestivos de insuficiência cardíaca (IC), como dispneia aos esforços, turgência jugular, estertores bibasais e edema de membros inferiores, além de achados na ausculta cardíaca e radiografia de tórax que corroboram essa hipótese. A hiperfonese e desdobramento de segunda bulha em foco pulmonar, juntamente com a turgência jugular e os estertores, indicam congestão pulmonar e sistêmica, características da IC. A radiografia de tórax, embora não mostrada, é mencionada como reproduzida, e a presença de cardiomegalia seria um achado esperado. Diante desse cenário, o ecocardiograma transtorácico é o exame mais indicado para iniciar a investigação, pois permite avaliar a função ventricular (sistólica e diastólica), identificar valvopatias, estimar pressões e fornecer informações estruturais detalhadas do coração. A avaliação da função cardíaca é crucial para classificar o tipo de IC (com fração de ejeção preservada ou reduzida) e guiar o tratamento. Outros exames como tomografia de tórax ou prova de função pulmonar seriam mais apropriados se a suspeita de doença pulmonar fosse primária, enquanto a angiotomografia de coronária seria para investigação de doença arterial coronariana após a avaliação inicial da IC.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de insuficiência cardíaca?

Os sinais e sintomas de insuficiência cardíaca incluem dispneia aos esforços, ortopneia, dispneia paroxística noturna, edema de membros inferiores, turgência jugular, estertores pulmonares e cardiomegalia na radiografia de tórax.

Por que o ecocardiograma é o exame inicial na suspeita de IC?

O ecocardiograma transtorácico é o exame inicial de escolha porque permite avaliar a função sistólica e diastólica dos ventrículos, identificar valvopatias, estimar pressões de enchimento e avaliar a estrutura cardíaca, fornecendo informações cruciais para o diagnóstico e manejo da insuficiência cardíaca.

Quando considerar outros exames como TC de tórax ou angiotomografia?

A tomografia de tórax pode ser considerada se houver suspeita de doença pulmonar parenquimatosa ou tromboembolismo pulmonar. A angiotomografia de coronárias é útil para avaliar doença arterial coronariana, mas geralmente após a avaliação inicial da função cardíaca.

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