Insuficiência Cardíaca Descompensada: Manejo do Edema Agudo de Pulmão

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 65 anos de idade, foi admitida na unidade de emergência com queixa de dispneia. Relata que, há 6 meses, começou a apresentar quadro de dispneia aos esforços e edema de membros inferiores. Há uma semana evoluiu com quadro de tosse seca, coriza, odinofagia e febre, que se associou a piora importante da dispneia, que agora ocorre mesmo em repouso. No momento, mantém apenas a dispneia, não apresentando mais os outros sintomas. Tem história prévia de diabetes tipo 2 e hipertensão arterial, fazendo uso irregular de hidroclorotiazida, metformina e gliclazida. Ao exame, está em regular estado geral, com pressão arterial de 134x92mmHg, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, frequência cardíaca de 80bpm, frequência respiratória de 24ipm e saturação de oxigênio de 95% em ar ambiente. Apresenta bulhas cardíacas rítmicas, normofonéticas, em 3 tempos, sem sopros. Também foi vista turgência jugular a 45°. A ausculta respiratória evidenciou murmúrios vesiculares diminuídos em bases de ambos os hemitórax, com crepitos até terço médio de ambos. Sem sinais de desconforto respiratório. Visto também edema (3+/4+) de membros inferiores. Exames laboratoriais apresentaram: Hb 12g/dL; Plaquetas 164mil/mm³; Ur 80mg/dL; Cr 2,5mg/dL (basal: 1,1mg/dL) e troponina negativa. O ecocardiograma, realizado previamente como parte da investigação da dispneia, apresentava hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo. O eletrocardiograma e a radiografia de tórax podem ser vistos a seguir: Diante da suspeita clínica, qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?

Alternativas

  1. A) Fazer furosemida endovenosa, iniciar vasodilatação e ventilação não invasiva.
  2. B) Fazer furosemida endovenosa, toracocentese diagnóstica e iniciar ceftriaxona.
  3. C) Fazer furosemida e iniciar noradrenalina e dobutamina endovenosas.
  4. D) Iniciar vasodilatação, dobutamina endovenosa e ventilação não invasiva.

Pérola Clínica

IC descompensada com EAP e congestão → Furosemida IV + vasodilatação + VNI (se necessário).

Resumo-Chave

Paciente com insuficiência cardíaca descompensada, evidenciada por dispneia de repouso, crepitações pulmonares e turgência jugular, e piora da função renal, deve ser tratado com furosemida endovenosa para diurese, vasodilatadores para reduzir pré e pós-carga, e ventilação não invasiva para suporte respiratório.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) descompensada, frequentemente manifestada como edema agudo de pulmão (EAP), é uma emergência médica comum, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes e hipertensão. A fisiopatologia envolve um aumento das pressões de enchimento cardíacas, levando à transudação de líquido para o interstício pulmonar e alvéolos, causando dispneia e hipoxemia. O diagnóstico é clínico, baseado na história de dispneia progressiva, ortopneia, tosse e achados ao exame físico como crepitações pulmonares, turgência jugular e edema periférico. Exames complementares como radiografia de tórax (congestão pulmonar, cardiomegalia), ECG (sinais de hipertrofia, isquemia) e ecocardiograma (disfunção ventricular) auxiliam na confirmação e avaliação da etiologia. A disfunção renal aguda pode ser um fator complicador. A conduta inicial visa reduzir a congestão e melhorar a oxigenação. A furosemida endovenosa é a pedra angular do tratamento, promovendo diurese e venodilatação. Vasodilatadores, como nitratos, são úteis para reduzir a pré e pós-carga. A ventilação não invasiva (VNI) é indicada para pacientes com desconforto respiratório significativo, melhorando a oxigenação e reduzindo o trabalho respiratório. O uso de inotrópicos ou vasopressores é reservado para casos de choque cardiogênico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de insuficiência cardíaca descompensada com edema agudo de pulmão?

Os sinais incluem dispneia de repouso, ortopneia, tosse, crepitações pulmonares, turgência jugular, edema de membros inferiores e, em casos graves, hipotensão e choque.

Qual a importância da furosemida endovenosa no tratamento do edema agudo de pulmão?

A furosemida endovenosa é um diurético de alça potente que promove rápida diurese e venodilatação, reduzindo a pré-carga cardíaca e aliviando a congestão pulmonar e sistêmica.

Quando a ventilação não invasiva (VNI) é indicada na insuficiência cardíaca descompensada?

A VNI é indicada em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada e edema agudo de pulmão que apresentam desconforto respiratório moderado a grave, hipoxemia e/ou acidose respiratória, ajudando a melhorar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório.

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