SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Paciente feminina, 68 anos, portadora de insuficiência cardíaca (IC), procura atendimento com quadro de ortopneia e edema de membros inferiores (MMII). Faz uso regular de enalapril 20 mg ao dia, carvedilol 25 mg 2 vezes ao dia e furosemida 40 mg, esporadicamente. Encontra-se lúcida, orientada, dispneica, acianótica, pressão arterial 110/90 mmHg, frequência cardíaca 65 bpm, frequência respiratória 22 rpm, estertores pulmonares difusos, edema de MMII +++/4. Os exames laboratoriais mostraram Hemoglobina: 12,0 g/dL (VR: 13 a 17 g/dL), Hematócrito: 40,0% (VR: 38 a 50%), Leucócitos: 7.500/ mm3 (VR: 4.500 a 11.000/mm3), Bastões: 0% (VR: 0 a 4%), Plaquetas: 260 mil/mm3 (VR:150.000 a 400.000/ mm3), Glicose em jejum: 100 mg/dL (VR: 70 a 99 mg/dl), Ureia: 20 mg/dL (VR: 15 a 38 mg/dL), Creatinina: 0,9 mg/dL (VR: 0,5 a 1,2 mg/dL), Sódio: 125 mEq/L (VR: 135 a 145mEq/L), Potássio: 3,8 mEq/L (VR: 3,5 a 45 mEq/L). De acordo com o quadro clínico descrito, qual o manejo adequado para essa paciente?
IC descompensada (congestão, hiponatremia) + uso esporádico de furosemida → Otimizar diurético de alça + iniciar espironolactona (melhora hiponatremia, reduz mortalidade).
A paciente apresenta sinais de descompensação da IC (ortopneia, estertores, edema) e hiponatremia, com uso esporádico de furosemida. O manejo adequado envolve otimizar a diurese com furosemida (que estava sendo usada esporadicamente) e iniciar espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide. A espironolactona não só melhora a hiponatremia dilucional, mas também reduz a mortalidade e morbidade em pacientes com IC com fração de ejeção reduzida, além de ter um efeito diurético sinérgico com a furosemida.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo, ou fazê-lo apenas com pressões de enchimento elevadas. A descompensação da IC, como no caso da paciente, manifesta-se por sinais e sintomas de congestão (ortopneia, edema de MMII, estertores pulmonares) e é uma causa comum de hospitalização. O manejo adequado é crucial para aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbimortalidade. A fisiopatologia da descompensação envolve a ativação neuro-hormonal (sistema renina-angiotensina-aldosterona, sistema nervoso simpático) que leva à retenção de sódio e água, resultando em sobrecarga volêmica. A hiponatremia, frequentemente presente, é geralmente dilucional e reflete a gravidade da IC e a ativação do hormônio antidiurético. O tratamento visa reduzir a congestão e otimizar a função cardíaca. O manejo da IC descompensada inclui a otimização da terapia diurética. A furosemida, um diurético de alça, é essencial para aliviar a congestão, mas seu uso esporádico pode levar à descompensação. A espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, é uma medicação fundamental na IC com fração de ejeção reduzida, pois melhora o prognóstico e pode auxiliar no manejo da hiponatremia dilucional. A restrição hídrica também pode ser considerada em casos de hiponatremia grave. A monitorização rigorosa dos eletrólitos (especialmente potássio e sódio) e da função renal é indispensável durante o ajuste da terapia.
A espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, é indicada na IC com fração de ejeção reduzida porque demonstrou reduzir a mortalidade e hospitalizações. Ela atua bloqueando os efeitos deletérios da aldosterona, como fibrose miocárdica e retenção de sódio e água.
A hiponatremia na IC é geralmente dilucional, causada pela ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e liberação de ADH, levando à retenção excessiva de água em relação ao sódio. Diuréticos de alça também podem contribuir.
A monitorização do potássio é crucial, pois a espironolactona é um diurético poupador de potássio, enquanto a furosemida pode causar hipocalemia. A combinação pode levar a flutuações, exigindo ajuste de doses para evitar hipo ou hipercalemia.
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