HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2020
Paciente feminina de 78 anos, hipertensa, dislipidêmica em acompanhamento no ambulatório de cardiologia devido a miocardiopatia dilatada isquêmica (IAM há 07 anos sem estratificação prévia). Ao longo dos últimos anos tem se mantido em classe funcional II.Faz uso regular de enalapril 10mg 2x; furosemida 40mg pela manhã; esprinolactona 25mg 1x; bisoprolol 10mg 1x; aspirina 100mg 1x; rosuvastatina 10mg 1xHá cerca de 48 horas após as festividades de final de ano começou a apresentar quadro de dispneia aos mínimos esforços associado a ganho de peso e edema de MMI.Chega a emergência pouco sonolenta, despertável ao chamado, obedecendo a comandos simples. Extremidades frias e perfusão capilar diminuída. Acianótica, anictérica, hipocorada (+/4+).Sinais vitais: FC: 85bpm PA: 88/50mmHg Sat: 88%Ausculta respiratória com murmúrio vesicular universalmente audível e estertor creptante no 1/3 inferior de ambos hemitóraxes Ausculta cardíaca com ritmo cardíaco regular em 3T com 3ª bulha de VE e sopro sistólico 2+/6+ em foco mitral. Presença de turgência jugular patológicaAbdômen com fígado palpável a 3cm do rebordo costal direito com refluxo hepato-jugular presente MMII com edema 2+/4+ com cacifo até o joelhoBaseado no caso clínico em questão analise as seguintes afirmaçõesI - Paciente deve realizar BNP no atendimento de emergência para confirmação do diagnóstico de insuficiência cardíacaII - Deve-se investigar infecção com radiografia de tórax, hemograma e PCR por ser a principal causa da descompensação da pacienteIII - Avaliação da função renal e do lactato complementam a avaliação para definição do perfil hemodinâmico da paciente
Perfil C (Frio e Úmido) exige avaliação de lactato e função renal para guiar inotrópicos e suporte.
Pacientes com IC descompensada e sinais de má perfusão periférica (Perfil C) necessitam de avaliação laboratorial de danos a órgãos-alvo para estratificação de risco e manejo hemodinâmico.
A abordagem da Insuficiência Cardíaca Descompensada na emergência baseia-se na classificação hemodinâmica de Stevenson (Perfis A, B, L, C). A paciente do caso apresenta hipotensão (PAS 88 mmHg), má perfusão (extremidades frias) e congestão (estertores e edema), classificando-a no Perfil C. O manejo prioritário envolve estabilização hemodinâmica, muitas vezes com inotrópicos, e monitorização rigorosa de disfunções orgânicas através de marcadores como lactato e creatinina, conforme preconizado pelas diretrizes da SBC e ESC.
O BNP (Peptídeo Natriurético Tipo B) ou NT-proBNP é indicado principalmente quando há dúvida diagnóstica sobre a causa da dispneia na emergência (ex: diferenciar IC de DPOC). Em pacientes com diagnóstico prévio de IC e sinais clínicos claros de descompensação (edema, turgência jugular, B3), o exame tem valor prognóstico, mas não é essencial para a confirmação diagnóstica imediata.
O Perfil C, também chamado de 'Frio e Úmido', é caracterizado pela presença de sinais de congestão pulmonar ou sistêmica (estertores, edema, turgência jugular) associados a sinais de baixa perfusão tecidual (extremidades frias, tempo de enchimento capilar lentificado, hipotensão, oligúria ou alteração do nível de consciência). É o perfil de maior gravidade, frequentemente evoluindo para choque cardiogênico.
Em estados de baixa perfusão (Perfil C), o metabolismo anaeróbico aumenta, elevando o lactato sérico, que serve como marcador de gravidade e resposta ao tratamento. A função renal (creatinina e ureia) é crucial para detectar a síndrome cardiorrenal aguda, onde a queda do débito cardíaco e a congestão venosa renal prejudicam a filtração glomerular, exigindo ajuste fino de diuréticos e inotrópicos.
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