HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020
Homem de 60 anos, procedente da Bahia, deu entrada no PS com dispneia aos médios esforços, ortopneia e edema de MMII. Ao exame físico, detectado edema MMII 3+/4, hepatomegalia 2cm abaixo RCD, estase jugular com refluxo hepatojugal positivo, PA 80x30mmHg e sonolência. Relatava ainda oligúria. Trazia consigo um ECG e Ecocardiograma realizados ambulatorialmente que revelavam bloqueio de ramo direito e bloqueio divisional ântero-superior, fração de ejeção de 40% e presença de aneurisma apical. Baseado na sua avaliação clínica-hemodinâmica, qual o perfil do paciente e uma opção de tratamento?
Perfil C (frio e úmido) = congestão + hipoperfusão → diuréticos + inotrópicos/vasodilatadores.
O paciente apresenta sinais de congestão (dispneia, ortopneia, edema, estase jugular, hepatomegalia) e hipoperfusão (PA baixa, sonolência, oligúria), caracterizando o perfil C (frio e úmido) da insuficiência cardíaca descompensada. O tratamento inicial inclui diuréticos (furosemida) para a congestão e um inotrópico/vasodilatador como o levosimendan para melhorar a perfusão e a contratilidade.
A avaliação hemodinâmica na insuficiência cardíaca descompensada é fundamental para guiar o tratamento. Os perfis de Forrester (A, B, C, D) classificam os pacientes com base na presença de congestão (úmido) e hipoperfusão (frio). O paciente do caso apresenta dispneia, ortopneia, edema, estase jugular (sinais de congestão ou 'úmido') e hipotensão, sonolência, oligúria (sinais de hipoperfusão ou 'frio'), configurando o perfil C. A fisiopatologia do perfil C envolve uma falha da bomba cardíaca em manter um débito adequado para as necessidades metabólicas do corpo, resultando em baixo débito cardíaco e ativação neuro-hormonal que leva à retenção hídrica e congestão. A fração de ejeção de 40% indica disfunção sistólica. A presença de bloqueios de condução e aneurisma apical em paciente da Bahia é altamente sugestiva de cardiopatia chagásica, uma etiologia importante de insuficiência cardíaca no Brasil. O tratamento do perfil C visa otimizar a volemia e melhorar a contratilidade cardíaca. Diuréticos de alça como a furosemida são essenciais para reduzir a congestão. Agentes inotrópicos, como o levosimendan (um sensibilizador de cálcio com efeitos vasodilatadores), são indicados para melhorar o débito cardíaco em pacientes com hipoperfusão e hipotensão, especialmente quando há disfunção sistólica grave. A morfina pode ser usada para alívio da dispneia e ansiedade, mas não aborda a causa hemodinâmica subjacente.
O perfil C, ou 'frio e úmido', é caracterizado por sinais de congestão (dispneia, ortopneia, edema, estase jugular) e sinais de hipoperfusão periférica (hipotensão, extremidades frias, oligúria, alteração do estado mental).
O tratamento para o perfil C envolve a combinação de diuréticos (como furosemida) para aliviar a congestão e agentes inotrópicos ou vasodilatadores (como levosimendan ou dobutamina) para melhorar o débito cardíaco e a perfusão.
A procedência da Bahia, juntamente com bloqueio de ramo direito, bloqueio divisional ântero-superior e aneurisma apical, são achados altamente sugestivos de cardiopatia chagásica crônica, uma causa comum de insuficiência cardíaca na região.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo