IC Descompensada: Manejo do Derrame Pleural Transudativo

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 85 anos de idade, esteve no serviço de urgência há seis semanas por dispneia e dor pleurítica à direita. Revelado derrame pleural na metade inferior do hemitórax direito na radiografia de tórax. Na ocasião, foi retirado 620 mL que constatou ser transudato. Os exames microbiológico e citológico foram negativos. Desde então, refere melhora das queixas, apesar de se sentir mais cansada na última semana, foi diagnosticada como síndrome gripal e teve a necessidade de dormir com mais um travesseiro. Nega tosse ou febre. Tem insuficiência cardíaca e artrite reumatoide. Usa enalapril, amlodipina, furosemida e hidroxicloroquina. Os sinais são normais e Sat. O2 96% (ar ambiente). Ausculta pulmonar com diminuição do murmúrio vesicular nas bases pulmonares, com poucos estertores à direita. Sem outras alterações no exame físico. A radiografia de tórax atual revela hipotransparência do terço inferior do campo pulmonar direito e apagamento do seio costofrênico esquerdo. Em relação ao caso apresentado, qual é a estratégia terapêutica mais indicada?

Alternativas

  1. A) Expansão volêmica endovenosa.
  2. B) Iniciar antibioterapia empírica.
  3. C) Repetir toracocentese direita.
  4. D) Realizar pleurodese.
  5. E) Aumentar a dose de diurético.

Pérola Clínica

IC descompensada + derrame pleural transudato + sobrecarga volêmica → otimizar diuréticos.

Resumo-Chave

Em pacientes com insuficiência cardíaca e derrame pleural transudativo recorrente ou agravado, a piora da dispneia e sinais de sobrecarga volêmica (como ortopneia e novos derrames) indicam descompensação. Aumentar a dose de diuréticos é a conduta inicial mais adequada para reduzir a congestão.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo. É uma causa comum de hospitalização em idosos e frequentemente se manifesta com dispneia e sobrecarga volêmica, incluindo derrame pleural. O manejo adequado é crucial para melhorar a qualidade de vida e reduzir reinternações. O derrame pleural na IC é tipicamente transudativo, resultante do aumento da pressão hidrostática nos capilares pulmonares e pleurais. A descompensação da IC pode ser precipitada por infecções (como síndromes gripais), má adesão medicamentosa ou progressão da doença. Sinais como ortopneia, piora da fadiga e novos derrames pleurais indicam sobrecarga volêmica e necessidade de ajuste terapêutico. A estratégia terapêutica mais indicada para derrame pleural transudativo secundário à IC descompensada é a otimização da terapia diurética. O aumento da dose de diuréticos de alça, como a furosemida, visa reduzir a sobrecarga volêmica, aliviar a congestão pulmonar e diminuir o derrame pleural. Toracocentese é reservada para derrames volumosos e sintomáticos ou para diagnóstico diferencial quando há dúvida sobre a natureza do líquido.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de descompensação da insuficiência cardíaca?

Sinais de descompensação incluem piora da dispneia (especialmente ortopneia e dispneia paroxística noturna), edema periférico, ganho de peso, fadiga e sinais de congestão pulmonar ou sistêmica.

Por que o derrame pleural na insuficiência cardíaca é geralmente transudativo?

Na insuficiência cardíaca, o aumento da pressão hidrostática nos capilares pulmonares e pleurais leva ao extravasamento de fluido para o espaço pleural, resultando em um derrame transudativo, pobre em proteínas e células.

Qual a principal estratégia terapêutica para derrame pleural transudativo por IC?

A principal estratégia é otimizar o tratamento da insuficiência cardíaca subjacente, principalmente através do aumento da dose de diuréticos, para reduzir a sobrecarga volêmica e a pressão hidrostática.

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