Insuficiência Cardíaca Descompensada: Diagnóstico e Conduta

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 67 anos de idade, refere, há cerca de 3 meses, dispneia progressiva até moderados esforços, associada com tosse seca, ortopneia, dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores bilaterais. Nega febre, escarro e chiado no peito. Refere ter HAS (hipertensão arterial sistêmica), mas faz uso irregular de antihipertensivos. Ex-tabagista 20 maços/ano, abandonou o vício há 15 anos. Nega patologias pulmonares prévias. Ao exame está em regular estado geral, eupneico, saturação periférica de oxigênio 92% em ar ambiente, FC: 90bpm, FR: 20 irm, PA: 180x100mmHg; ausculta pulmonar: estertores finos bibasais; ausculta cardíaca: ritmo cardíaco regular, 2 tempos; membros edema bilateral simétrico de membros inferiores 3+/6+.Vem na consulta com os seguintes resultados de exames:Espirometria: Pré-broncodilatador: CVF 3,30 (85%)-VEF1 3,20 (80%) – VEF1/CVF 88% Pós-broncodilatador: CVF 3,40 (86%)- VEF1 3,22 (82%) -VEF1/CVF 85%Raio-X de tóraxQual deve ser a conduta inicial para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Iniciar diurético.
  2. B) Iniciar antibiótico.
  3. C) Iniciar broncodilatador.
  4. D) Realizar toracocentese diagnóstica antes de medicar.

Pérola Clínica

Dispneia, ortopneia, PND, edema, estertores bibasais + HAS descompensada → Insuficiência Cardíaca Descompensada. Conduta inicial: diurético.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de insuficiência cardíaca descompensada, provavelmente precipitada pela hipertensão arterial sistêmica mal controlada. Os sintomas de congestão pulmonar e sistêmica, juntamente com os achados do exame físico e a espirometria normal, direcionam para a sobrecarga volêmica. A conduta inicial visa aliviar a congestão e otimizar a hemodinâmica.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa resultante de qualquer alteração estrutural ou funcional cardíaca que prejudique o enchimento ventricular ou a ejeção de sangue. A descompensação aguda da IC é uma das principais causas de internação hospitalar, especialmente em idosos com comorbidades como hipertensão arterial sistêmica (HAS) mal controlada. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de congestão e hipoperfusão para iniciar o tratamento correto. O diagnóstico da IC descompensada é eminentemente clínico, baseado na história (dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna, tosse, fadiga, edema) e exame físico (estertores pulmonares, turgência jugular, edema periférico, ritmo de galope). Exames complementares como eletrocardiograma, radiografia de tórax e ecocardiograma são essenciais para confirmar o diagnóstico, avaliar a função cardíaca e identificar a etiologia. A espirometria, como no caso, pode ser útil para descartar outras causas de dispneia. A conduta inicial para a IC descompensada com sinais de congestão envolve principalmente a administração de diuréticos de alça para reduzir a pré-carga e aliviar os sintomas. Em pacientes hipertensos, o controle da pressão arterial também é fundamental. Outras terapias podem incluir vasodilatadores, oxigenoterapia e, em casos selecionados, inotrópicos. O manejo deve ser individualizado, visando a estabilização hemodinâmica e a prevenção de novas descompensações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de insuficiência cardíaca descompensada?

Os principais sinais e sintomas incluem dispneia progressiva, ortopneia, dispneia paroxística noturna, tosse seca, edema de membros inferiores, estertores finos na ausculta pulmonar e, em casos de descompensação aguda, hipertensão ou hipotensão.

Por que o diurético é a conduta inicial para este paciente?

O diurético é a conduta inicial porque o paciente apresenta sinais claros de sobrecarga volêmica (edema, estertores, ortopneia), que é a principal causa dos sintomas. A remoção do excesso de fluido alivia a congestão pulmonar e sistêmica, melhorando a dispneia e o conforto do paciente.

Como a espirometria ajuda no diagnóstico diferencial da dispneia neste caso?

A espirometria com resultados normais ajuda a excluir doenças pulmonares obstrutivas (como DPOC ou asma) ou restritivas significativas como a causa primária da dispneia. Isso direciona a investigação para causas cardíacas, como a insuficiência cardíaca, que é corroborada pelos outros achados clínicos.

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