SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Uma mulher de 63 anos de idade, obesa, hipertensa, diabética e dislipidêmica, em uso irregular de anlodipino, metformina e sinvastatina, compareceu ao pronto‑socorro com relato de tosse, febre aferida de 38,2 ºC, coriza, mialgia e espirros há três dias, porém, nos últimos dois dias também percebeu edema de membros inferiores e dispneia importante que a fizeram procurar o pronto‑socorro. Ela relatou que realizou um teste recente na farmácia, influenza A positivo. Na admissão, apresentou: temperatura de 37,7 ºC; glasgow 15; PA 180 x 110; FC 118 irpm; e FR 26 irpm. A paciente segurava‑se à grade do leito devido à ortopneia, havia presença de estase jugular, pulso com ritmo irregular e ausculta com estertores de base até terço ápice bilateralmente. O eletrocardiograma da paciente apresentou: ausência de onda P; RR irregular; QRS estreito; e FC 118 bpm.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
IC descompensada + congestão (estertores, estase jugular) sem hipoperfusão (PA alta) = Perfil B (quente e úmido) → Diurético, vasodilatador, VNI.
A paciente apresenta sinais de congestão pulmonar e sistêmica (estertores, estase jugular, edema) com pressão arterial elevada, indicando um perfil hemodinâmico 'quente e úmido' (Perfil B) de insuficiência cardíaca descompensada. A fibrilação atrial com resposta ventricular rápida agrava o quadro, mas a conduta inicial é focada na descompensação da IC e na infecção viral.
A insuficiência cardíaca descompensada é uma condição grave que exige reconhecimento rápido e manejo adequado, especialmente em pacientes com múltiplas comorbidades e fatores precipitantes como infecções virais. A classificação hemodinâmica em perfis (A, B, C, L) auxilia na orientação terapêutica, sendo o perfil B (quente e úmido) caracterizado por congestão sem hipoperfusão, frequentemente associado a edema agudo de pulmão. Neste cenário, a paciente apresenta sinais clássicos de congestão (dispneia, ortopneia, estase jugular, estertores, edema de membros inferiores) e uma pressão arterial elevada, indicando um perfil B. A fibrilação atrial com resposta ventricular rápida contribui para a descompensação, mas a prioridade é o manejo da congestão. A infecção por Influenza A é um gatilho comum para descompensação cardíaca e deve ser tratada com oseltamivir, que deve ser iniciado prontamente. O tratamento do edema agudo de pulmão e da IC descompensada perfil B inclui diuréticos de alça (furosemida) para reduzir a congestão, vasodilatadores (como nitratos) para diminuir a pré e pós-carga, e ventilação não invasiva (VNI) para melhorar a oxigenação e reduzir o esforço respiratório. A cardioversão elétrica para fibrilação atrial não é a conduta inicial, especialmente em um contexto de descompensação aguda e sem informações sobre o tempo de início da arritmia ou anticoagulação, priorizando-se a estabilização hemodinâmica e o controle da resposta ventricular.
Os perfis hemodinâmicos são classificados em 'quente' (sem hipoperfusão) ou 'frio' (com hipoperfusão) e 'úmido' (com congestão) ou 'seco' (sem congestão). O perfil B ('quente e úmido') é o mais comum, caracterizado por congestão sem sinais de choque.
A conduta inicial inclui oxigenoterapia, diuréticos de alça intravenosos (furosemida), vasodilatadores (nitratos) para reduzir pré e pós-carga, e ventilação não invasiva (VNI) para melhorar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório.
O oseltamivir deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas, especialmente em pacientes com fatores de risco para complicações ou com doença grave, como a paciente do caso.
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